
Estrutura do Curso
• Módulo 1: Preparação
• Módulo 2: Criação de Personagem
• Módulo 3: Trama e Estrutura
• Módulo 4: Prática de Escrita
Links úteis:
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Local de Trabalho
Para escrever você vai precisar de um local – nem que seja uma mesinha em um cybercafé –, então organize isso logo no início do seu projeto para garantir um processo de escrita mais fluído e que não faça você perder tempo e energia.
Os escritores possuem a vantagem de não precisar de um super estúdio, como músicos e artistas plásticos, mas, mesmo assim, certas coisas devem ser observadas se você realmente quer escrever como um profissional.
Em primeiro lugar, onde você vai produzir, geograficamente falando? O mais comum é ter um escritório ou um quarto no qual você consiga escrever sem grandes distrações, mas não há nenhum problema se você não tem isso ao seu alcance. Um café pode muito bem quebrar o galho (J.K. Rowling que o diga), mas certifique-se de tomar certos cuidados.
A sua sala de escrita deve ser capaz de te isolar do mundo. Desligue o celular ou deixe-o do lado de fora, mantenha coisas de primeira necessidade à mão – e aqui estou falando de coisas simples como água, canetas, fones de ouvido. Depende do que é essencial para você. Uma placa de “não perturbe” também pode ser muito útil se você não mora sozinho.
Caso vá escrever em um café, converse com o gerente e reserve uma mesa para os dias e horários de escrita. Isso vai poupá-lo de aborrecimentos e evitará olhares curiosos dos garçons. Caso você se distraia facilmente com conversas alheias, uma boa pedida pode ser ouvir uma playlist do Spotify ou então entrar em sites como o "Noisli". Só não esqueça de ter fones de ouvido sempre com você.
Procure estar confortável, com uma iluminação adequada e uma cadeira que não te obrigue a mudar de posição a cada cinco minutos.
Caso você escreva com um computador, precisará de acesso a energia elétrica. Já se escreve à mão, certifique-se de estar bem municiado com cadernos e diversas canetas. Eu gosto de carregar comigo um caderninho de rascunho para anotações rápidas ou ideias que ainda não estão maduras o bastante para serem colocadas no “texto oficial”.
Cuidado com a armadilha do luxo. Muitos autores compram cadernos feitos à mão, cheios de detalhes artístico, e isso acaba por gerar um bloqueio e inibindo a criação. É como se, no subconsciente, achássemos que só algo maravilhoso merece ser escrito em um caderno daqueles.
Escrivaninhas espalhafatosas podem gerar o mesmo problema. O próprio Stephen King relatou que, ao ganhar dinheiro, a primeira coisa que ele fez foi trocar sua pequena escrivaninha velha por uma peça enorme e imponente. Resultado: ele não conseguiu mais escrever. O bloqueio só foi superado quando ele se livrou do móvel metido a besta.
Antes de escrever, separe cinco minutos para organizar o espaço. Ligue o computador, posicione os cadernos e canetas no lugar certo, ajeite a garrafa de água. Caso necessite, deixe o dicionário e o dicionário de sinônimos/antônimos por perto. Esta pequena arrumaçãozinha, com o tempo, funcionará como uma espécie de ritual de preparação que vai te colocar no clima certo para começar a escrever. Além disso, caso tenha algo super urgente para fazer – como responder a um e-mail -, agora é a última chance.
Se você escreve com um computador, atenção à internet. Na fase de pesquisa e rascunho dos escritos iniciais, ela é uma grande ferramenta. Já quando vamos para a escrita propriamente dita, ela é uma de suas maiores inimigas. Se você vai partir para a produção, considere seriamente a ideia de desligar sua conexão até ter terminado a meta diária.
De resto, basta lembrar das palavras da sua mãe quando você era mais novo e tinha que estudar para a prova: arrume essas coisas. Você não vai conseguir fazer nada nessa bagunça.
Ajuste o seu local de trabalho às suas próprias necessidades, mas, faça o que fizer, garanta que seja um oásis de paz. Você deve ser capaz de trancar o mundo real do lado de fora e gastar os próximos minutos ou horas em seu próprio mundinho. Em outras palavras, o seu local de trabalho precisa garantir algum tipo de isolamento.
Escrever é uma atividade solitária. A vida e todas as outras pessoas terão toda a sua atenção... assim que você terminar a sua sessão diária.
Responda a essas perguntas:
• Em que período eu tenho mais disponibilidade de horário?
• Em que período eu tenho mais paz?
• Em que período eu me sinto mais bem disposto para trabalhar?
Levando isso tudo em consideração, eu vou escrever todo dia às ____________ horas.
Ideias para rituais pré-escrita:
• Organizar o local de trabalho.
• Ouvir uma música que seja inspiradora.
• Fazer uma oração ou repetir frases de poder.
• Fazer exercícios.
• Preparar uma caneca de café, lentamente.
• Meditar por alguns minutos.
O meu ritual de escritor será ______________.
Responda a essas perguntas:
• Prefiro uma meta geral baseada em número de palavras ou em prazo?
Minha obra terá ______________ mil palavras.
Minha obra estará pronta até o dia _______________.
• Prefiro uma meta diária baseada em número de palavras ou em tempo?
Escreverei ______________ palavras por dia.
Escreverei durante ______________ minutos por dia.
*Lembre-se: suas metas devem ser realistas. Desafiadoras, mas alcançáveis!
Para garantir o comprometimento com a escrita do seu livro, invista em...
• Compromissos públicos:
- Avise aos seus amigos e familiares que você vai escrever um livro.
- Publique isso nas suas redes sociais.
- Autorize todos a te azucrinarem sempre que você não levar seu compromisso a sério.
• Recompensas:
- Sempre que alcançar sua meta diária, dê a si mesmo uma micro-recompensa.
- Quando chegar na metade do seu projeto, se presenteie com algo legal (um bom livro sempre cai bem).
- Quando terminar de escrever o seu livro, celebre em grande estilo. Não tenha vergonha de pedir uma recompensa aos seus amigos e parentes mais próximos. Você merece.
*Use os posts que anexei a esta aula para assumir seu compromisso público e pedir seu prêmio após terminar o livro.
LEITURA COMPLEMENTAR
Como encontrar a ideia para sua história:
“Não há nada para escrever. Tudo o que você precisa fazer é se sentar em frente de sua máquina de escrever e sangrar”.
- Hemingway
“Não se pode escrever nada com indiferença”.
- Simone de Beauvoir
Quando a gente começa a estudar técnica criativa para narrativas, de repente começa a se deparar com algumas frases e conceitos que se repetem. Um desses é o famoso “escreva sobre o que você sabe”. O que isso quer dizer?
Que você possui um repertório dentro de você, formado por referências, assuntos de interesse, visões únicas de mundo, etc. Isso é um material muito importante porque já está pronto – afinal, você passou uma vida construindo-o – e é bastante original.
Ao escrever sobre o que você sabe, você ganha tempo de pesquisa, diminui a margem de erro e confere credibilidade ao seu livro.
Claro! Pense só: vamos fazer de conta que você trabalhou durante anos como um advogado criminalista antes de escrever seu livro. Você teve contato com centenas de clientes e está familiarizado com o sistema legal, processos, leis, etc. É bem provável que o seu livro traga detalhes e personagens interessantes dentro deste contexto e o trabalho de pesquisa que você precisará fazer será bem menor do que o trabalho de um alguém que não entende nada do mundo jurídico. Entende por que a dica do “escreva o que você sabe” é tão útil?
Pois é, mas não para por aí.
As pessoas leem para experimentar novas experiências emocionais. Para viver novas vidas e ter sensações inéditas. No exemplo que demos acima, as pessoas não leriam o livro para saber sobre o advogado criminalista e seus dramas. Elas leriam para dividirem os dramas com ele. Para se tornarem ele por algumas horas por dia.
O que isso quer dizer?
Que não basta escrever sobre o que você sabe. É necessário colocar paixão nas páginas.
Então, vamos dar um passo além e estabelecer que você também deve escrever sobre o que você sente.
Viu as frases de Hemingway e de Simone de Beauvoir que coloquei lá no início do texto? Reparou no que elas tem em comum? Ambas falam de comprometimento. De uma conexão emocional poderosa com o assunto sobre o qual se escreve.
Busque dentro de você os temas que lhe são caros. Traumas, obsessões, paixões. Divida isso com o mundo. Passe essas coisas por meio da sua visão única e as insira em uma trama. Utilize o que você sabe como uma ferramenta para fortalecer a história, mas entenda que a alma do seu livro virá daquelas coisas que fazem o seu coração bater mais forte.
Usando o advogado criminalista como exemplo novamente: talvez o escritor tivesse mesmo trabalhado anos no meio e conhecesse muito bem o assunto. Mas o que o levou a escrever não foi o conhecimento. Foi um caso em que ele perdeu anos atrás e teve que ver seu cliente, um inocente, ser colocado na cadeia enquanto o verdadeiro culpado – o filho de um político influente – caminha livre por aí. A injustiça o corroeu por anos e ele decidiu pegar essa dor e extravasar na forma de uma história.
Claro que nem todo livro precisa vir de uma experiência tão dramática, mas você pegou a ideia certo?
Para achar o assunto do seu próximo livro, procure conhecer a si mesmo. Veja qual tema ou assunto está fervilhando na sua mente ou coração. O que você quer falar ao mundo? Que ponto de vista deseja que as pessoas conheçam? Certamente será um bom ponto de partida. Se puder unir isso a algo que você conheça, aí terá um poderoso material bruto para começar a trabalhar.
Observação e Imaginação
Uma forma interessante e divertida de encontrar ideias é simplesmente começar a prestar mais atenção no mundo ao seu redor. Tente pensar em si mesmo como um explorador alienígena que tem a missão de testemunhar e relatar tudo o que achar de interessante. Pode ser uma imagem, um diálogo, um sabor ou uma experiência que desperte a sua atenção. Desenvolva a habilidade de observar e anote tudo.
Legal, após alguns dias você deve ter uma lista bastante variada de coisas interessantes. Pode ser que algumas delas já comecem a fazer sua mágica e despertar o seu impulso criativo. Mas você pode dar um passo além e perguntar a si mesmo “e se...?”.
“E se...?” é um dos melhores exercícios criativos. Eu acredito que o ser humano deveria perguntar “e se...?” ao menos umas cinquenta vezes por dia. Isso faz com que a imaginação se mantenha trabalhando e serve de gatilho para potenciais histórias. Quer ver?
Imagine que durante a etapa de observação você ouviu duas velhinhas conversando sobre como o vizinho delas é irritante. O cara ouve música alta durante a madrugada, faz festas amalucadas todos os dias da semana, fuma charuto na sacada e agora comprou um cachorro que não para de latir.
Imaginou?
Agora você se pergunta “E se...?”
E se as velhinhas matassem o vizinho?
De repente aquele diálogo inofensivo se torna mais interessante. Você começa a pensar em como elas cometeriam o crime, que tipo de método utilizariam e como se sentiriam depois. Será que ficariam com dor na consciência ou será que se manteriam firmes na decisão, certas de que fizeram um bem a todo o condomínio? As coisas poderiam se complicar quando um detetive veterano , tio do rapaz assassinado, decide focar todas as suas forças na investigação do caso. E o cachorro, coitado? O pobre animal não tem com quem ficar e as velhinhas podem acabar tendo que adotá-lo.
Entende como a coisa funciona? O simples exercício de se perguntar “e se...?” desencadeia uma série de possibilidades divertidas para se trabalhar em um livro.
Observe o mundo ao seu redor e depois deixe a sua imaginação fazer a parte dela. Você verá que já tem tudo o que precisa para encontrar material para histórias!
Listinha
Se você é um escritor, você tem que andar com um caderninho. Ponto.
As ideias mais legais e originais vão surgir quando você menos espera. No banho, durante um passeio no parque, enquanto assiste televisão. Não tem jeito. O mais legal da nossa mente é que ela não para de funcionar enquanto relaxamos o corpo. Ela cria conexões, testa novas possibilidades e origina histórias próprias. Por isso, seja parceiro e esteja preparado para registrar o que ela te enviar.
Anote tudo. Não julgue. Muitas coisas parecerão bobinhas ou até mesmo idiotas, mas elas podem ser sementes a partir da qual uma narrativa muito boa pode se desenvolver. Passe tudo para o seu caderninho e depois se preocupe com o desenvolvimento.
O caderninho também serve para você exercitar sua imaginação, rascunhar, testar possibilidades, fazer listas. Quero até aproveitar que estamos falando disso e propor um exercício caso você esteja totalmente perdido sobre qual história contar:
Durante os próximos dias você terá a missão de anotar 100 ideias para histórias - atenção, não estou falando de histórias completas, mas de ideias para histórias, coisa de uma ou duas linhas. Anote tudo em uma lista, sem perder muito tempo julgando a sua imaginação. Apenas coloque no papel.
A grande maioria será uma porcaria. É assim mesmo. Não se preocupe. Se você colocar a porcaria no papel ela sai da sua cabeça e sobre mais espaço para ideias bacanas.
Chegou às 100 ideias? Ótimo, agora fica mais divertido.
Corte metade. Isso mesmo, risque as suas 50 piores ideias. Aqui entram os clichês e todas as outras coisas que você detestou.
Cortou? Das 50 que sobraram, você irá selecionar 20. Não são quaisquer 20, são apenas as que você considera boas. Não há mais espaço para as medianas.
Começou a doer pra valer? Ótimo, significa que você está fazendo direito.
A partir dessas 20, você vai selecionar o seu Top 10. Passe as ideias selecionadas para uma nova lista, em qualquer ordem.
Chegamos à etapa crítica do exercício.
Com a sua lista Top 10 em mãos, você vaia analisar criticamente e escolher apenas 3 histórias. Estas devem ser ideias realmente boas, que tenham potencial para personagens interessantes e que possam desencadear uma grande gama de conflitos. Pode gastar um tempinho a mais nessa etapa porque ela é difícil mesmo. Contudo, se você fez tudo direitinho, já deve estar com possibilidades de trama fervilhando na cabeça.
Até aqui você gerou 100 ideias gerais para conseguir apenas 3 que realmente merecem, talvez, virar um livro. Está vendo como é um trabalho difícil e que exige suor? A escrita criativa de narrativas é assim. Esqueça aquele mito do escritor super genial, capaz de tirar uma trama maravilhosa e criativa do nada. Ele é só isso mesmo, um mito, uma lenda, um produto do marketing para atrair mais leitores. Na vida real, escrever um livro exige trabalho duro e conseguir encontrar 3 ideias legais no meio de 100 já é um grande feito.
Finalmente, será a hora de escolher uma ideia para escrever.
Passe os olhos pelas suas 3 finalistas. Repita. Qual faz seu coração bater mais forte? É essa.
Simples assim. Difícil assim!
Temas do Momento
A questão é polêmica, mas eu não teria como passar pelo assunto sem abordar o aspecto comercial da literatura. Afinal, tem muita gente por aí que produz com o intuito de virar um escritor profissional, alcançar o grande público e conseguir viver exclusivamente da escrita. Para essas pessoas, o mercado deve ser levado em conta.
É muito provável que você se enquadre dentro de um determinado gênero de escrita. Algumas pessoas escrevem para diversos nichos, mas o mais comum quando se fala de escrita comercial é que você se identifique com Fantasia, ou Ficção Científica, ou Mistério, ou Crime, etc. Isso é bom porque possibilita que você estude os demais autores do gênero e, principalmente, conheça o seu público. Antes de escrever o seu livro, pergunte-se o que os seus potenciais leitores estão lendo. O que será que está na moda? O que está chamando a atenção?
Você pode encontrar a ideia para o seu livro a partir dessas questões.
Hoje em dia contamos com ferramentas práticas e de fácil utilização para achar as respostas às perguntas que levantei acima. Você pode fazer uma busca no Google ou então entrar no site da Amazon, encontrar o seu nicho e pesquisar entre os best-sellers. Identificou algum assunto de destaque?
Pois é, o assunto não está ali por nada.
As grandes editoras sabem muito bem que a literatura é um negócio. Elas querem o maior lucro possível, com o menor risco. Para isso, investem em pesquisa e tentam antever qual será o tópico quente do momento. E acredite, existe sim esse lance de moda e momento. Já ouviu falar de “50 Tons de Cinza”? Lembra da quantidade de livros semelhantes que surgiram no mercado logo depois? É, é assim que o mercado funciona.
Mas assim eu não corro o risco de escrever mais do mesmo?
Claro que corre. De nada adianta você se aproveitar de um mercado que já está saturado ou de um assunto que já entrou em declínio. Se você quer ser um escritor comercial, a pesquisa será importante. Você precisa estar ligado, ser ágil e atento. Você precisa aprender a ler nas entrelinhas e ser mais rápido que os outros.
Mas e quanto à originalidade? Eu não quero escrever Fantasia Sombria sobre vampiros, quero escrever Fantasia Sombria sobre criadores de ovelha do século XVIII que declamam poesia e choram ao ver o pôr do sol.
Legal! É claro que você pode escrever apenas sobre o que quiser, mas aí precisa entender que talvez não alcance um público tão grande. A escrita comercial continua sendo uma arte, mas também precisa ser vista como business. Tem certeza que não dá pra escrever aquela sua história e aproveitar os temas quentes ao mesmo tempo?
Bom, também existe uma outra alternativa - que é a mais legal e, claro, minha favorita: você se tornar tão bom, escrever uma história tão incrível, que o seu livro se tornará o tema do momento e influenciará outros escritores. Claro que é difícil, mas difícil não quer dizer impossível, certo?
Sobre o que escrever?
- Sobre o que você sabe/conhece.
- Sobre o que você ama.
- Conheça as "regras" do seu gênero ou mercado.
- Mas não deixe de buscar referências em outros meios.
Consumimos histórias porque queremos...
- Uma poderosa experiência emocional.
- Viver coisas, experimentar, sentir.
Para sentir a emoção de uma história, precisamos de...
- Uma conexão.
- Uma ponte entre o leitor e as coisas que ocorrem no livro.
- Um personagem para fazer o papel dessa ponte.
• Uma história é a jornada de um personagem em busca de algo.
• O personagem tem um objetivo (de vital importância para ele).
• No caminho para seu objetivo, o personagem precisa lidar com diversos obstáculos.
• Ao superar os obstáculos, o personagem se torna merecedor de alcançar seu objetivo.
• "Se o personagem está se divertindo, o leitor não está".
Os 2 personagens mais importantes da sua história são...
- O Protagonista.
- O Antagonista.
Protagonista:
- O "dono" da história.
- Tem a principal jornada do livro.
- Tem o principal objetivo (que deve ser de vital importância para ele).
- Sofre os maiores obstáculos e dificuldades.
- Deve gerar identificação, fazer o leitor torcer por ele e se enxergar no lugar dele.
Antagonista:
- Força contrária ao protagonista.
- É o conflito encarnado.
- Objetivo oposto ao do protagonista.
- Mesmo objetivo do protagonista (mas apenas um deles pode conquistá-lo).
- Deve ser pelo menos tão poderoso quanto o protagonista (de preferência mais poderoso).
- Simboliza o oposto do protagonista.
- Espelho distorcido do protagonista.
- Simboliza uma falha fundamental do protagonista.
- Também deve gerar identificação (Se eu fosse...).
A BÍBLIA DO PERSONAGEM
Calma. Nós não estamos colocando religião no meio do nosso estudo técnico sobre criação de personagens.
Esta Bíblia a que me refiro não é nada mais do que um recurso que ajudará você a pensar mais a fundo sobre a criação do seu personagem. Por meio dela você será capaz de abordar diversas áreas da vida dele e responder perguntas que envolvem os aspectos físico, social e de personalidade, além, é claro, de descobrir a própria história por trás do seu herói ou vilão.
Conforme a Bíblia do Personagem vai sendo preenchida, a sua criação começa a parecer cada vez menos com uma ideia e efetivamente toma forma como algo vivo.
Por meio da Bíblia você enxergará a big picture, terá uma noção ampla do que está criando e poderá conectar os pontos de forma que tudo faça sentido.
Por exemplo:
Você pode criar um personagem calado, mas com uma aura de perigo ao seu redor, como se ele fosse um animal acuado (personalidade). Ele tem algumas cicatrizes horríveis pelo corpo musculoso (físico) e responde com agressividade sempre que é contrariado, o que afasta as pessoas do seu convívio (social).
Este personagem, que poderia ser visto como um brigão por muita gente, na verdade foi abusado pelo pai durante a infância, resultando em suas várias cicatrizes. Conforme crescia, ele decidiu se tornar cada vez mais forte, para garantir que nunca mais sofreria nas mãos de ninguém novamente. Infelizmente, os traumas da infância contribuíram para uma personalidade agressiva e uma desconfiança generalizada de outras pessoas (história pregressa).
Este foi um rápido exemplo simplificado, mas serve para mostrar como as características do personagem devem estar conectadas entre si e com a história pregressa dele. Nada deve ser por acaso. Cada informação é uma peça de um grande quebra-cabeça que, ao final do livro, deve fazer pleno sentido.
Abaixo estão alguns pontos que você pode usar para construir a bíblia do seu personagem. Quanto mais tempo você passar analisando cada ponto, melhor. Não tenha pressa. Reflita, brinque, ligue os pontos e confie na sua mente para trazer a sua criação do mundo das ideias para a realidade.
Geral
Nome do Personagem:
Data de início da criação:
Características Físicas
Gênero corporal:
Gênero com qual se identifica:
Idade aparente:
Idade real:
Etnia:
Altura:
Peso:
Tipo corporal:
Cor dos cabelos:
Cor dos olhos:
Características marcantes do rosto:
Características marcantes do corpo:
Saúde:
Características Sociais
Terra Natal:
Pais:
Família:
Infância:
Juventude:
Amores:
Amigos:
Inimigos:
Trabalho:
Crenças:
Estilo de vida:
Visão política:
Características de Personalidade
Rotina:
Qualidades:
Defeitos:
Hobbies:
Gostos alimentares:
Locais favoritos:
Esportes:
Filmes/Séries favoritas:
Estilo musical favorito:
O que o faz feliz:
O que o deixa triste:
O que o tira do sério:
O que ele mais ama:
O que ele odeia:
Qual foi sua maior conquista:
Qual foi seu pior fracasso:
Do que sente vergonha:
Segredo mais sombrio:
Quais são os seus valores (veremos mais sobre valores adiante):
História Pregressa
Descreva aqui os acontecimentos mais marcantes da vida do personagem e que tenham acontecido antes do início da sua história.
Infância:
Adolescência:
Vida adulta:
Traumas:
Lições/Aprendizados:
Melhores amigos:
Inimigos:
O que ele mais deseja:
A Bíblia do Personagem pode ser uma ajuda inestimável para gerar figuras marcantes e que farão a tão desejada identificação com o leitor. Contudo, ela pode se transformar em uma armadilha nas mãos do escritor incauto.
Dedique-se à Bíblia, mas não a use como uma desculpa para nunca começar a sua escrita. É normal que algumas partes dela fiquem um pouco nebulosas ou até mesmo não sejam abordadas. Não há problema nisso. Você sentirá no seu âmago quando o seu personagem ganhar vida, o que significará que está na hora de avançar.
Saiba também que nem todo personagem precisará de uma Bíblia tão extensa ou detalhada. É perfeitamente aceitável que você dê menos atenção a personagens secundários, que não terão importância na trama. Porém, quando se tratar de protagonistas, antagonistas e dos principais coadjuvantes, recomendo que você crie uma Bíblia para cada um deles.
Por fim, entenda que a Bíblia é para você. O objetivo dela é fazer com que você conheça muito bem o personagem. O seu público não precisa e nem deve ter acesso a todo aquele conteúdo.
O Mind Map é...
- Uma ferramenta para dar um start na sua criatividade.
- Uma livre associação de ideias (por isso, não se reprima).
- Bagunçado e caótico, mas não tem problema. Você vai organizar tudo direitinho depois, quando usar o Mind Map em conjunto com outros métodos de criação de personagem.
*ATENÇÃO: em anexo a esta aula temos uma imagem de um exemplo de Mind Map aplicado à criação de um personagem.
VALORES CONFLITANTES (OU COMO CRIAR PERSONAGENS MARCANTES COM APENAS UMA PERGUNTA)
Aqui vai uma verdade sobre livros e personagens: é possível que um bom personagem salve um livro ruim, mas nem mesmo a melhor trama conseguirá salvar um personagem chato, desinteressante e sem brilho.
Não adianta.
Por isso, é tão importante dar atenção à criação de personagens, especialmente ao protagonista de sua história.
Ok. É bem provável que você já saiba disso. Todo mundo repete esse tipo de coisa em livros de técnicas, workshops e artigos pela internet, mas pouca gente explica, de uma forma clara e direta, como fazer.
O que eu tentei transmitir até aqui foi um plano de ação rápido e assertivo, para que você não perca mais tempo do que o necessário nesta etapa da escrita do seu livro. Meu objetivo é colocar o criativo em você para trabalhar e iniciar a produção de personagens o quanto antes. Claro que isso não substitui todo o estudo técnico e as horas de prática às quais você ainda precisará se dedicar para se tornar um grande criador de personagens, mas com certeza vai acelerar a sua curva de aprendizado.
Mas ainda existe uma dica que eu acredito ser fundamental para dar vida a um personagem marcante e profundo:
Invista em valores.
Pergunte-se qual é o valor do seu personagem? E por valor eu não quero dizer apenas qualidades ou coisas bacanas e politicamente corretas. Quando eu digo valor eu quero que você pense naquilo que o seu personagem não pode viver sem. Faça com que ele pergunte a si mesmo:
Qual é a coisa mais importante do mundo para mim?
É isso! A resposta irá revelar qual é a essência do seu personagem e, a partir dela, você poderá guiar todas as escolhas dele ao longo da trama.
Veja o Batman lá no início da carreira, no fim da década de 30, antes de se estabelecer todo um cânone para o homem-morcego. Naquela época podíamos definir o herói por meio de um único valor: justiça. Tudo o que o Batman fazia era guiado por um grande senso de justiça.
Legal, mas os tempos mudaram e o público procura por personagens cada vez mais complexos. O que fazemos então?
Inserimos mais uma camada de valor.
Nós fazemos o personagem perguntar mais uma vez: qual é a coisa mais importante do mundo para mim?
Agora temos dois valores. Duas essências.
Muitas vezes esses dois valores vão andar lado a lado e construir uma dinâmica bacana ao longo da história. Só que as coisas ficam boas mesmo quando usamos esses valores para gerar conflito, colocando um em luta com o outro.
Vamos para um exercício prático:
Vou partir do pressuposto que quase todo mundo sabe quem é Walter White, do seriado Breaking Bad. Um químico brilhante, pai, bom marido, que nunca recebeu a devida grandeza e de repente se descobre com câncer.
Perguntamos pro Walter qual é a coisa mais importante do mundo. Ele responde: família.
Com esse valor em mente, ele acaba tomando decisões com o intuito de garantir um bom futuro para a sua família. Mas a coisa não para aí, não é mesmo?
Nós perguntamos pra ele qual é a outra coisa mais importante do mundo e ele diz: poder, controle.
Agora temos outro valor para brincar. Um valor que, ao entrar em conflito com o primeiro, gera os momentos mais dramáticos da série.
Ao criarmos a luta Família X Poder, vamos descobrindo quem Walter White realmente é. Ele é Heisenberg.
Entendeu a lógica da coisa? É isso!
Conforme você for ficando mais seguro com a brincadeira, poderá ir se aventurando em mais camadas de valores e em personalidades com diferentes níveis de complexidade. O mais legal disso tudo é que os personagens parecem trabalhar ativamente na própria construção.
Experimente e veja o que acha.
O PRINCÍPIO DO ICEBERG
Acredito que você já tenha visto um iceberg ou, pelo menos, visto a imagem de um iceberg.
Como ele se parece?
Com um imenso pedaço de gelo flutuando sobre as águas, não é?
Embora aquela coisa gigante e gelada esteja ali, chamando a atenção e afundando eventuais barcos, você sabe muito bem que a maior parte do iceberg não está visível. Ela fica abaixo do nível da água. A parte visível do iceberg, na verdade, corresponde a apenas 10% de toda a sua massa.
Com o personagem é a mesma coisa.
Você deve conhecer os 100%. Você deve ver o todo de sua história. Você autor. Mas o seu leitor não.
O seu leitor precisa apenas enxergar aqueles 10% que estão na superfície. Ele será capaz de entender que existe um conteúdo muito maior por baixo. Um conteúdo que não está escancarado, mas que evidentemente existe.
Em resumo, nós precisamos passar ao leitor apenas uma parte dos nossos personagens. Só que essas partes devem ser poderosas o bastante para que o leitor adivinhe suas outras características (ou então para que preencha as lacunas com sua própria imaginação).
Nós mostramos a ponta do iceberg.
Mas por que fazemos isso?
Se você se dedicou corretamente a criar a Bíblia do Personagem e gastou pelo menos um tempinho pensando nele como um ser real, é bem provável que você tenha criado muito material. Muito material mesmo. Coisa como páginas e páginas de anotações, além de uma quantidade de dados muitas vezes maior que estão espalhados em rabiscos, gravações, imagens e, claro, armazenados na sua cabeça.
Agora imagine colocar tudo isso no seu livro.
Caso você tenha apenas um personagem importante, o conteúdo já ficará bastante inchado. Você vai precisar dedicar um bom tanto do espaço da obra apenas para falar do personagem, resultando em um livro bastante extenso. E isso sem considerar a trama propriamente dita ainda.
Caso você tenha mais do que um personagem importante em sua história, tudo ficaria ainda maior e mais complicado. Sem falar que ficaria chato!
Sim, ficaria chato pra burro.
Nós gostamos das informações sobre nossos personagens porque eles são nossas criações, nossos filhos e filhas. Para nós, tudo neles é interessante. Mas você precisa ter uma coisa muito importante em mente:
Uma história é sobre ação, movimento, drama.
E quando você apenas joga informação, você não tem nenhuma dessas coisas. Informação é estática, parada, sem vida.
O que você precisa descobrir são quais detalhes importantes do seu personagem são relevantes para a trama e como eles deixarão claro para o leitor que se tratam apenas da ponta do iceberg. Eles são como indicadores de que há muito mais sob a superfície.
Ah, Nano, mas o meu leitor não vai entender o meu personagem e tudo o que eu criei com tanto amor e carinho será em vão.
Eu sei que essa insegurança existe mesmo. Ela é normal. Mas acredite em mim quando digo: se você tiver um personagem bem construído e bem amarradinho, o seu leitor vai compreendê-lo.
Leitores são bastante inteligentes e a mente curiosa deles naturalmente fará conexões entre o que você está mostrando e o que não está mostrando. Ao final, a experiência deles será muito mais agradável se você investir no Princípio do Iceberg.
PERSONAGEM É AÇÃO
Já que falamos sobre o Princípio do Iceberg e sobre o que revelar e ocultar do seu personagem, vou aproveitar para já passar uma dica que me foi muito valiosa ao longo desses anos:
Personagem é Ação.
O que isso quer dizer?
Bom, como você pode imaginar, existem muitas maneiras de dizer para o seu leitor quem é o seu personagem. Você pode falar sobre ele, pode fazer outros personagens falarem sobre ele, pode dar indícios de sua personalidade por meio do ambiente, pode fazê-lo falar de si mesmo, pode mostrar como ele pensa e pode mostrar como ele age.
Tudo isso é válido e é comum que escritores se utilizem de uma mescla dessas opções ao longo da história. Porém, pude comprovar na prática que a forma mais poderosa e eficiente é por meio da ação do personagem.
Não estou dizendo que você deve ignorar as outras possibilidades, afinal, isso não é uma receita de bolo. Entretanto, pense com carinho em utilizar o recurso da ação do personagem. Não o deixe de fora.
Vou explicar por quê:
Você já ouviu a frase “Ações valem mais do que palavras”?
Pois é, ao longo da vida a gente encontra muita gente que, a primeira vista, nos parece ser de um jeito. Talvez essa impressão seja causada por sua aparência ou pela visão que os outros têm dela. Talvez as coisas que essa pessoa diz até mesmo reforcem aquela nossa percepção inicial. Contudo, o que nos mostra realmente a essência de alguém, é como esse alguém age.
Pense naquele cara que parece ser um cavalheiro, que se veste bem, fala de um jeito elegante e dá a impressão de ter sido muito bem educado. Agora imagine que você vai encontrar com esse cavalheiro em um jantar e ele trata o garçom feito lixo, esnobando o pobre trabalhador e até mesmo humilhando-o.
O que vale mais? A impressão inicial, corroborada por visual e linguajar, ou a impressão final, que leva em conta a forma como a pessoa agiu?
No fim das contas, os nossos atos mostram quem somos de verdade. Principalmente em momentos de tensão e de dificuldade.
Quer descobrir quem o seu personagem é de fato? Coloque-o em uma situação difícil e veja como ele se comporta.
Ao longo de uma história, os personagens atravessam uma jornada própria, na qual passam por dezenas de situações que os forçam a agir. Por meio dessas ações, vemos quem os personagens são e o que eles se tornam.
Sim, pois toda história vai, de uma forma ou de outra, abordar a questão da transformação.
Pense no seu próprio caso. Se a sua vida for uma história, isso quer dizer que você passou por um monte de coisas até o dia de hoje e esse monte de coisas foi responsável por fazer de você quem você é.
Você não é a mesma pessoa que era no ano passado. Certamente não é a mesma de cinco anos atrás, muito menos a pessoa que era na adolescência ou infância, certo?
A vida segue, coisas acontecem e suas consequências nos deixam marcas. Somos fruto dessas marcas. Elas nos mudam ou então nos engessam, mas certamente nos influenciam.
Com os personagens acontece o mesmo.
A esse processo chamamos de Arco do Personagem.
A forma que considero a mais fácil para utilizar esse recurso é estabelecer algumas lições que você deseja que seu personagem aprenda ao longo do caminho. Faça isso antes mesmo de começar a escrever.
Se você prestou atenção em tudo o que indiquei até aqui, é provável que já tenha um personagem bastante sólido em mente. Acredito que você tenha construído uma Bíblia e já tenha determinado os valores. Sendo assim, você deve estar conhecendo muito bem a sua criação e é mais do que capaz de pensar em algumas lições para ela.
Pare agora mesmo e se pergunte:
Nessa história que quero contar, qual tema deve ressoar em meu personagem? Que lições eu quero que ele (e, por identificação, meu leitor) aprenda?
Faça uma lista dessas lições. Lembre, no entanto, que elas precisam estar ligadas à trama central da história.
Repito: as lições aprendidas pelo seu personagem não podem ser gratuitas. Elas devem estar ligadas à história.
Vamos pegar um exemplo para ilustrar:
Acredito que você lembre do filme Ghost – Do Outro Lado da Vida, no qual o personagem de Patrick Swayze é assassinado e volta como um espírito para proteger a namorada. Ao longo da história, uma série de coisas acontece, mas existe uma lição específica que dá um sentido maior para a trama e mostra uma evolução do personagem: ele aprende a dizer “eu te amo”.
Sim, parece besteira, mas logo que conhecemos o personagem, ele é incapaz de dizer à namorada que a ama. É preciso que ele passe por imensas dificuldades (o cara precisa MORRER, afinal de contas) para compreender a real extensão dos seus sentimentos e dizer isso para sua amada antes do adeus final.
É uma resolução tocante para o filme e mostra que tudo o que o personagem passou não foi em vão. Ele mudou. Ele evoluiu. E essa mudança ajuda a transmitir a grande moral da história: a vida é curta, por isso, se você ama alguém, diga-lhe isso já.
Outro exemplo:
Em O Rei Leão temos um jovem Simba que, após a trágica morte do pai, foge das responsabilidades e de seu passado. Tudo o que ele deseja é viver a vida curtindo na companhia de seus dois melhores amigos. Afinal de contas, Hakuna Matata é o seu lema... e Hakuna Matata quer dizer “sem problemas”.
Só que as coisas não são bem assim.
Simba descobre que sua terra natal foi arrasada pelo governo tirânico e inconsequente de seu tio Scar. É preciso voltar e consertar as coisas.
Simba deve amadurecer, deve se tornar um adulto com responsabilidades para honrar a memória do pai, resgatar seu reino e assumir seu lugar no ciclo da vida.
E ele faz isso.
O momento em que um Simba mudado sobe a Pedra do Rei e completa seu destino com um poderoso rugido é emocionante e entrou para a história da animação.
Sendo assim, se pergunte qual lição você quer que o personagem aprenda. O que a história pode ensinar a ele? Quem ele é no começo e quem será no fim?
Respondeu a essas perguntas? Ótimo! Agora é só ligar os pontos.
UMA NOTA SOBRE TRANSFORMAÇÃO
Como você percebeu pelo que acabamos de ver acima, as histórias abordam a transformação dos personagens, contudo, o contrário também pode acontecer.
Embora a grande maioria das tramas traga um arco de personagem que envolve mudança, algumas delas focam exatamente na não-mudança. E isso pode acontecer de algumas formas:
Tragédia:
Em primeiro lugar, temos a tragédia. Nesse caso, um personagem com falhas passa por inúmeras dificuldades e, em cada uma delas, recebe a oportunidade de mudar. Mas ele se recusa a fazer isso. Como um ser teimoso e orgulhoso, ele segue até o amargo fim se recusando a passar por transformações. Nessas histórias o protagonista normalmente termina arrasado, sozinho e amargurado. Pode ser que ele perca os amigos, a família, a fortuna ou até mesmo a sanidade ou a vida.
Representação de Um Valor:
Outra forma de história na qual o personagem não muda, é quando ele é a representação de algum valor importante. Nessas tramas o mundo parece conspirar para realizar uma alteração na personalidade do personagem, mas, contra todas as expectativas, ele se mantém firme.
Um bom exemplo de personagem assim seria o comissário Gordon, das histórias do Batman. Gordon é um policial incorruptível que, apesar de toda a sujeira, violência e podridão de Gotham, segue sem mudar seu valores. O pobre homem já chegou a ser sequestrado e torturado pelo próprio Coringa e mesmo assim continuou incorruptível.
Episódico:
Um terceiro tipo de arco no qual o personagem não passa por mudança é em histórias episódicas, aquelas em que o “herói” é o protagonista de uma série de livros que não necessariamente seguem uma ordem específica. Isso se dá porque o leitor talvez não acompanhe todas as aventuras do seu herói e, por isso, este precisa ter basicamente a mesma personalidade em todos os livros para não confundir o público.
Um ótimo exemplo seria Sherlock Holmes.
Caso você pegue dois livros aleatórios do detetive, é bem provável que ele seja exatamente a mesma pessoa em ambos, com as mesmas manias, características e visão de mundo. Sir Artur Conan Doyle se utilizou desse artifício para garantir que os fãs de Holmes não fossem surpreendidos por mudanças abruptas no personagem. Assim, um leitor poderia ler qualquer livro da série, na ordem que bem entendesse, e ainda assim se sentir familiarizado.
Hoje em dia enxergamos isso em seriados de TV com capítulos que trazem os famosos “casos da semana”, nos quais o mesmo grupo de personagens vive uma pequena aventura diferente a cada novo episódio. As mudanças dos personagens são pequenas ou então reservadas a grandes momentos como capítulos finais de temporadas ou então no caso da própria temporada final.
Alguns exemplos seriam: House, F.R.I.E.N.D.S., Criminal Minds, CSI e tantos outros.
A estrutura funciona como uma espécie de mapa da sua história. Pense nela como um caminho cuidadosamente planejado que conduzirá os leitores ao longo da jornada vivida pelos personagens.
É através dela que determinamos o que cada parte do livro conterá e em que pontos ocorrem os principais acontecimentos.
Isso parece chato, Nano. Eu não posso simplesmente ir escrevendo conforme me dá vontade?
Volto a repetir: você pode fazer o que quiser, desde que funcione.
Infelizmente, confiar puramente no instinto não traz os resultados que muitos almejam. Pode ser ótimo para relaxar ou para contar histórias para os amigos mais próximos, mas, quando se trará de uma escrita profissional, normalmente não dá certo.
As técnicas de estruturação existem há milhares de anos. Talvez tenham ficado realmente famosas com o Teatro Grego, na Antiguidade, mas são ainda mais velhas. Muitas delas apareceram nos primórdios da civilização, com tribos de caçadores-coletores contando histórias ao redor de fogueiras.
Claro que elas foram sendo aprimoradas ao longo do tempo. Conforme nós nos tornamos vorazes consumidores de histórias, as técnicas foram se adequando ao público. Afinal, o primeiro e mais importante objetivo de uma trama é ser captada adequadamente por seus leitores.
Sendo assim, entenda que nada do que vou passar adiante é obrigatório. Não quero que você pense em estrutura como algo engessado que apenas irá deturpar a sua arte.
Não é nada disso.
As técnicas de estrutura servem para fortalecer a sua história. Elas seguem certos princípios, sim, mas o fazem porque esses princípios funcionam.
Esses princípios despertam a atenção e o interesse dos leitores, além de facilitar a vida do escritor. É uma questão lógica.
É estranho notar que existe uma enorme quantidade de escritores que se recusa a até mesmo ler sobre estrutura. Há quem faça discursos inflamados dizendo que seguir essas técnicas seria o mesmo que prostituir a criação.
Sou totalmente contrário a esse pensamento.
Se você analisar outras formas de arte, verá que a técnica está sempre envolvida. São poucos os pintores que não gastam um tempo de suas vidas aprendendo sobre cores, pincéis, luz e movimento. São raros os músicos que chegam longe sem um estudo técnico de seus instrumentos e da própria noção de musicalidade. Ainda mais raros são os artistas marciais que se tornam mestres sem terem gastado anos aprimorando tecnicamente os seus golpes.
A arte envolve estudo técnico.
Então, se em todas as artes isso acontece, por que na literatura seria diferente?
Eu te digo por quê:
Porque é do interesse de muitos escritores manterem aquela aura romântica de que a escrita é um talento. Que ela é difícil e reservada a apenas alguns poucos escolhidos. Que, se você não é uma pessoa tocada pela genialidade, você não deveria nem tentar escrever.
Isso tudo ajuda a transformar alguns autores em mitos. Isso aumenta seus valores. Isso cria ídolos ao invés de profissionais.
E todo mundo aceita pagar mais para ler o livro de um ídolo do que de um humano normal que está batalhando como todos os outros, não é?
A resposta é essa. Simples e crua.
Nós fomos educados para ter preconceito com a técnica literária... e precisamos superar esse preconceito.
As técnicas de estruturação de histórias são aliadas do escritor. Quando eu tive meu primeiro contato com elas, minha vida mudou. Eu passei a amar livros ainda mais, pois me divertia duas vezes com eles. Além disso, eu passei a enxergar tudo ao meu redor como histórias... e tudo fez muito mais sentido. Foi quase como uma experiência religiosa.
Por isso, se você também acredita que a técnica existe para nos ajudar a criarmos histórias ainda melhores, preste bastante atenção no que abordaremos nesse módulo. Tenho certeza que fará você sorrir!
Para não deixar a sua trama ficar presa na inércia, pense em um Momento de Quebra.
- Qual é a quebra (na situação, cenário ou personagem) que faz com que as coisas não sejam mais como antes?
- Uma quebra nos faz buscar pelo reparo. Em que direção a quebra joga a sua história?
- O momento de quebra já aconteceu antes do livro começar ou ele acontecerá ao longo da jornada?
- Como outros momentos-chave da sua história fortalecerão a quebra inicial?
A estrutura em 3 Atos, também conhecida como Modelo Dramatúrgico Clássico, talvez seja a mais famosa forma de se organizar a trama de histórias. Sua abordagem durante o antigo Teatro Grego a imortalizou e sedimentou como o modelo a ser seguido por excelência e mesmo quem não é do meio criativo acaba conhecendo seus fundamentos.
E quais são esses fundamentos? Consegue adivinhar?
Claro que consegue.
A estrutura em 3 Atos diz que toda história deve ter 3 partes: começo, meio e fim.
Simples, não é?
O segredo está em saber o que colocar em cada um desses atos e por que colocar. Pronto para descobrir?
A primeira parte da sua história serve para a introdução. Aqui nós apresentamos personagens e cenário, além de darmos uma boa noção do assunto da história. O que o leitor encontrará mais para frente em sua obra? Será uma trama de investigação? Um thriller? Uma aventura em um mundo fantástico? Um mistério interplanetário?
É aqui que estabelecemos os fundamentos para a obra que será construída na mente do leitor ao longo da leitura. Como em uma construção, se a base não for sólida e bem montada, tudo pode vir abaixo.
Durante o Ato I precisamos mostrar quem é o protagonista da história, o mundo no qual ele está inserido e qual é o seu objetivo.
É comum que o surgimento do objetivo abale a ordem estabelecida: o mundo vira de cabeça para baixo e o personagem simplesmente precisa alcançar o objeto de seu desejo. Ele precisa agir.
O Ato I termina quando fica muito claro para o leitor quem é o herói da história, o que ele quer, e por que o seu objetivo é uma questão de vida ou morte.
Quando esses pontos estiverem bem colocados, aí será hora de deixar as coisas mais emocionantes e embarcar no Ato II.
Aqui a ação se desenvolve pra valer.
Como o leitor já conheceu o cenário e os principais personagens (além de já ter se identificado com eles), podemos então aumentar as apostas e tornar as coisas mais agitadas.
Durante o Ato II o protagonista da sua história irá correr atrás do objetivo estabelecido no Ato I, mas acabará se deparando com uma série de obstáculos pelo caminho.
Se há uma palavra que define bem o Meio do seu livro, essa palavra é “Conflito”. Aqui você vai aplicar muitos daqueles ensinamentos sobre conflito que vimos algumas páginas atrás.
Não tenha medo de criar situações difíceis para o protagonista da história. Na verdade, pode complicar a vida dele à vontade. O Ato II é uma ótima oportunidade para extravasar aquele seu lado mais cruel.
E o melhor: pode fazer isso sem dor na consciência.
As pessoas detestam problemas em suas vidas, mas adoram em histórias. Repare como ninguém gosta de ler um livro no qual tudo vai bem e os personagens passam de um momento feliz para outro sem parar. Então, trate de inserir muitas provações para os seus heróis.
Após sofrer, apanhar, quase morrer e aprender alguma lições, chegará um momento de maior gravidade em sua história. Um momento em que o personagem se encaminhará para um último desafio supremo.
Nesse ponto, quando o herói se compromete a enfrentar o obstáculo final (e a arcar com as consequências), temos o final do Ato II.
O Ato III traz a conclusão da história. É aqui que veremos o protagonista enfrentando o conflito final e descobriremos se ele consegue ou não alcançar o objetivo apresentado no Ato I.
O Fim de um livro deve responder a pergunta: “O personagem consegue o que quer?”, além de mostrar as consequências de tudo o que aconteceu até aquele momento.
Sim, porque os leitores fizeram um grande investimento emocional na trama e nos personagens e desejam ficar mais um pouquinho com eles antes de se despedirem de vez.
Dessa forma, após mostrar o sucesso ou fracasso do protagonista, mostre também o que o fato significou para as pessoas e para o mundo.
Pense no final de Harry Potter, em como, mesmo após a vitória final de Harry sobre Voldemort, a autora ainda gastou algumas páginas falando sobre o que aconteceu com os principais personagens e o que aquela vitória representou para o mundo dos bruxos.
Porém, cuidado para não se arrastar em sua conclusão. Como em quase tudo o que diz respeito às técnicas de criação de história, menos é mais.
Você resolveu a grande questão do livro? Disse o que precisava dizer? Explicou o que aconteceu com os personagens e com o cenário? Então acabou. Pronto. Nada de enrolar! =)
Crie um rascunho de 2 parágrafos para cada um dos atos da sua história:
• Ato I - Preparação
• Ato II - Complicação
• Ato III - Resolução
*ATENÇÃO: para um melhor direcionamento, não deixe de baixar o modelo e o exemplo de caso, anexos a essa aula.
Achou a estrutura em 3 Atos simples demais?
Não se preocupe, nela abordamos apenas o conceito geral e a função primária de cada um dos atos de uma história. A verdade é que podemos mergulhar cada vez mais fundo na técnica, mas antes era necessário que você compreendesse a base.
Agora que estamos mais preparados, podemos dar passos mais ousados e expandir o nosso entendimento da criação de tramas.
A cada nova etapa, vamos inserir mais detalhes na estrutura em 3 Atos, torná-la mais completa e também complexa. Desse modo, você poderá absorver os conhecimentos de forma lógica e ordenada e também decidir o que funciona para você ou o que acredita que pode deixar de fora ou modificar.
Então, para darmos continuidade, quero apresentar para você os Pontos de Trama.
Eles não são nada mais do que alguns pontos-chave da sua história. Momentos especiais que ajudam a manter o ritmo, surpreender o leitor, engajar e carregar a trama adiante.
A grande vantagem dos Pontos de Trama é que, ao posicioná-los dentro da sua estrutura geral, eles servem como um mapa muito claro do caminho que você deve trilhar.
Pense comigo: o que é mais fácil, escrever um livro todo de uma só vez ou escrever do ponto 1 ao ponto 2, do ponto 2 ao ponto 3 e assim por diante?
Entendeu a lógica, certo?
Vamos, então, conhecer quais são esses pontos e para que servem.
Você começou a sua história e logo tratou de dar um chão ao seu leitor. Você fez uma contextualização com relação a local e tempo, deu indícios do tema da obra e apresentou alguns personagens centrais.
Ótimo e agora? Para onde você vai?
O primeiro Ponto de Trama se chama “Incidente” ou “Incidente Incitante” e ocorre por volta dos 10% da sua história. Ele serve como um acontecimento que abala o status quo. Ele traz bagunça para uma velha ordem. Ele tira as coisas da inércia.
Digamos que a sua história seja um drama de sobrevivência no qual um jovem vai lutar na 2ª Guerra Mundial. Sua trama poderia começar com este jovem em sua cidade natal, vivendo uma vida simples, na qual trabalha duro para cuidar do irmão mais novo. De repente vem uma notícia: estamos em guerra contra a Alemanha.
A notícia sobre a guerra seria o Incidente, porque ela abala a ordem estabelecida.
Claro que as coisas vão mudar daqui pra frente e uma nova ordem precisará ser criada.
Muito bem, você conseguiu inserir um Incidente na história e sacudiu as coisas para os personagens. Eles vão se bater por um tempo até se adaptarem às novas circunstâncias, mas a coisa deve ir ficando progressivamente mais séria até levar ao nosso segundo Ponto de Trama.
O Ponto Sem Retorno é um dos mais importantes momentos de toda a história. É nele que faremos o protagonista se comprometer pra valer com a trama e com o seu objetivo.
Aqui uma escolha deve ser feita. Uma escolha sem volta. A partir desse instante o protagonista não pode ter mais a opção de voltar atrás. Ele é obrigado a seguir sempre adiante para criar uma nova ordem.
Por que isso, Nano?
Porque, se a sua trama não tiver gravidade, se o seu personagem puder fugir dos conflitos e simplesmente voltar atrás, se ele puder desistir da história, então por que o seu leitor também não desistiria?
Entendeu como funciona?
Legal, então vamos ver como seria na prática.
Seguindo com o nosso exemplo da história da 2ª Guerra Mundial, digamos que o nosso protagonista tenha ficado muito preocupado com a notícia. Afinal, tudo o que ele quer é cuidar do irmão mais novo e o irmão já está em idade de se alistar. Para evitar a convocação, o protagonista gasta suas economias para subornar alguns oficiais.
Mas aí a verdadeira desgraça acontece: o irmão, idealista, se alista por conta própria e está decidido a lutar por seu país.
Como o nosso protagonista poderá proteger o caçula agora?
Ele reflete muito e vê que não tem escolha. Precisará se alistar também e dar algum jeito de cuidar do irmão no meio dos combates europeus.
A partir do momento em que o protagonista também se alista, não há mais volta. Ninguém podia simplesmente desistir do alistamento durante a 2ª Guerra Mundial. Nosso protagonista é obrigado a seguir em frente.
Pronto. O Ponto Sem Retorno foi cruzado. Nosso protagonista foi lançado de cabeça em uma nova situação a qual ele será obrigado a vivenciar. Se ele quiser cumprir seu objetivo e proteger o irmão, ele terá que enfrentar um monte de obstáculos e conflitos, pode ter certeza disso.
O Ponto Sem Retorno também marca o final do Ato I e o início da fase de confrontos do seu livro.
Então, após o nosso protagonista passar pelo Ponto Sem Retorno, ele entra de vez na etapa de conflitos do livro. Nela, ele terá que superar uma série de obstáculos cada vez maiores.
Chega um momento, no entanto, que é preciso sacudir um pouco as coisas ou o leitor pode ficar entediado.
Eis que surge a Reviravolta, o nosso terceiro Ponto de Trama. Ela ocorre mais ou menos na metade do livro e marca uma virada no Ato II.
A ideia por trás da Reviravolta é manter a trama interessante e surpreendente, prendendo o leitor à obra e mantendo um bom ritmo de leitura.
Muitos autores ignoram esse ponto por julgarem que suas histórias já estão bastante originais e imprevisíveis. Outros, com uma maior inclinação a surpresas e viradas, utilizam diversas reviravoltas menores ao longo de toda a trama.
Caberá a você estudar e experimentar essas alternativas na sua história, já que ninguém a conhece melhor do que você. Mas, caso ainda não seja muito experiente na escrita, tente usar esse artifício ao menos uma vez, para analisar o resultado por conta própria.
A Reviravolta é bastante evidenciada em histórias de mistério ou detetivescas. Sabe aquele momento em que um fato novo aparece e o principal suspeito se mostra um aliado? Ou então quando descobrimos que aquele policial que estava ajudando o detetive na verdade é o assassino? Esses seriam bons exemplos de Reviravoltas.
Na nossa história sobre a 2ª Guerra, poderíamos dizer que nosso protagonista estava obtendo sucesso em proteger seu irmão, mesmo em plena guerra. Contudo, após muitos momentos de terror, lutas e mortes, eles foram vítimas de um ataque surpresa e o protagonista perdeu os sentidos.
Quando nosso personagem acorda em um hospital de campanha, ele percebe que não há sinal do irmão. O jovem não está por ali, mas também não foi dado como morto. Ele simplesmente sumiu.
Agora o protagonista, além de se recuperar dos ferimentos, precisa encontrar o irmão em uma Europa transformada em um imenso campo de batalha.
Tenso, não é?
A Reviravolta é facilmente definida como o instante em que algo novo aparece e joga todo o rumo da história em uma nova direção.
Ela marca a metade do Ato II e, por isso mesmo, a metade da trama como um todo.
A Reviravolta lança o protagonista e a história em uma nova direção, na qual novos problemas aparecem, cada vez mais graves e intensos.
Mas uma hora esses conflitos precisam ter um fim. Em algum ponto teremos que descobrir se o herói será bem sucedido ou não em sua busca pelo objetivo.
O nosso 4º Ponto de Trama, o Comprometimento com o Clímax (ou Comprometimento Derradeiro), acontece quando o protagonista entende que uma batalha final será necessária.
Veja bem, este Ponto ainda não é a batalha final. Ele é o instante no qual o herói vislumbra essa batalha no horizonte e se compromete com ela. Ocorre normalmente nos 75% da história, ao final do Ato II.
Sabe quando Luke descobre que a Estrela da Morte se prepara para um ataque final que irá destruir a Aliança Rebelde? Naquele momento ele se dá conta que não há como fugir de um último embate mortal. Ou ele vai para a luta e desperta seus poderes da Força ou toda a Aliança perecerá.
O Comprometimento com o Clímax é quando o herói aceita seu destino. Ele compreende que seu próximo obstáculo será o mais importante de sua vida, uma questão de “ou tudo ou nada”. E ele topa a parada.
Na nossa história de exemplo, o Comprometimento com o Clímax poderia ocorrer quando nosso protagonista, após buscar freneticamente por informações, descobre que seu irmão mais novo sumiu porque foi levado como prisioneiro por um grupo de nazistas. Os vilões desejam arrancar informações do rapaz por meio de tortura.
Nosso herói então decide desertar de seu destacamento para tentar salvar o irmão. Ele sabe que, sozinho, aquela será uma missão praticamente impossível. Mas ele embarca nela do mesmo jeito, rumo ao combate final... e ao Ato III da trama.
Por fim, chegamos ao último Ponto, o grande momento da história, quando a pergunta será finalmente respondida.
Conseguirá o herói alcançar seu objetivo?
O Clímax é de extrema importância, pois, de certa forma, todos os acontecimentos do livro até então servem para preparar o leitor para esse momento.
O seu trabalho como escritor é transmitir a sensação de que, quando o Clímax finalmente acontece, ele não apenas faz sentido, mas parece inevitável.
É como um efeito dominó. Um fato levando a outro até que temos esse confronto supremo.
O Clímax costuma acontecer entre os 90% e 99% do livro e carrega em si a mais poderosa carga emocional e o instante de maior tensão da trama.
Para você ter uma ideia de como a coisa é importante, a imensa maioria das pessoas irá perdoar um livro mediano, desde que o Clímax seja incrível.
Vamos reforçar essa última parte:
Desde que o Clímax seja incrível.
Por isso, capriche.
No nosso exemplo da 2ª Guerra, o Clímax poderia ser um ataque surpresa do protagonista ao bando nazista que mantém seu irmão cativo.
Ele ataca durante a noite, matando friamente e sem remorso, deixando morrer dentro de si qualquer resquício de bondade que a guerra ainda não tivesse arrancado.
Ele corta as gargantas de soldados que ainda dormiam, troca tiros com outros até, por fim, se ver frente a frente com um último oponente: um rapaz mais ou menos da mesma idade de seu irmão.
O jovem adversário lhe aponta uma baioneta com mãos trêmulas. O medo estampado no rosto.
Mas nosso personagem sabe o que precisa fazer.
Ele avança, recebendo um tiro na barriga. Porém, mesmo ferido, consegue derrubar o nazista e, com as próprias mãos, espreme a vida para fora do corpo do oponente.
Nosso protagonista, se esvaindo em sangue, encontra o irmão, muito machucado, mas ainda vivo. Ele liberta o garoto e diz aonde deve ir para conseguir ajuda. Porém, precisará ir sozinho.
O herói da nossa história sacrificou a própria vida para alcançar seu objetivo. Em seus últimos momentos só lhe resta abraçar o irmão mais novo e torcer para que o garoto tenha se tornado um homem de valor. Afinal, agora precisará tocar a vida sozinho... pela primeira vez.
E não há muito mais o que dizer depois disso.
Se for o caso, você pode se alongar um pouquinho ao mostrar o que ocorre com os demais personagens após o Clímax e as consequências desse último confronto no mundo. Isso dará uma sensação de descompressão ao leitor. Mas não vá se empolgar demais, hein!
Terminou a história? Então termine o livro!
*ATENÇÃO: para facilitar o seu trabalho, veja os exemplos nos documentos anexos.
*ATENÇÃO: não deixe de baixar o documento anexo.
*ATENÇÃO: não deixe de baixar o documento anexo.
Como fazer uma pesquisa de forma assertiva em 5 passos:
O dia a dia do escritor pede por...
A sua história é feita de um montão de fragmentos interconectados que vão construindo a trama diante dos olhos do leitor. Cada um destes fragmentos é uma cena e ele serve para que o todo faça sentido.
Ao escrever uma cena, você precisa garantir que ela cumpra pelo menos uma das seguintes funções:
Vamos conhecer melhor cada uma delas.
CENA PARA MOVER A HISTÓRIA
Considerada a mais comum das funções de cena e apontada por diversos autores como a mais importante.
Uma cena serve, antes de mais nada, para fazer a nossa história avançar.
Se a nossa trama é uma jornada que leva o personagem em busca do seu desejo, cada cena dentro dessa trama deve ser um passo do caminho. Alguns passos vão levar o personagem mais para perto de seu objetivo enquanto outros irão fazê-lo escorregar, falhar e ter que se virar para voltar ao rumo.
Não importa.
O que você não pode perder de vista é a ideia de que uma cena nunca pode ser gratuita. Ela deve fazer sentido no contexto geral e, mais vital ainda, deve agregar algo ao todo.
Pense na sua história como um imenso quebra-cabeças. Cada cena deve funcionar como uma peça individual que traz um pouquinho mais de informação, drama e identificação para o leitor.
Aqui, a sua melhor bússola será o objetivo do personagem. Pense naquilo que ele quer alcançar ao longo da história. Depois pense no que ele quer alcançar naquele exato momento da cena e que tenha a ver com o objetivo geral. Depois decida se ele consegue alcançar esse objetivo e se isso o faz avançar rumo ao objetivo geral ou se o distancia dele.
Tudo fica mais claro com um exemplo:
Roy, nosso personagem principal, tem como objetivo conquistar o coração de Paula, sua colega de trabalho. Sendo assim, podemos dizer que o objetivo de Roy ao longo do livro é ser correspondido amorosamente (objetivo geral).
Pois bem, digamos que uma determinada cena do livro trate de uma festa na qual toda a família de Paula está presente. Como Roy sabe que os pais da garota são divorciados e que família se tornou uma questão muito importante para ela, ele decide cativar seus pais e irmãos e, assim, quem sabe ganhar alguns pontinhos no jogo da conquista (objetivo específico da cena).
Roy tem a ideia de dançar com a mãe de Paula e agradá-la com um papo simpático, para ficar mais próximo da família durante o resto da noite. Contudo, a bela senhora havia bebido alguns drinks a mais e confunde a simpatia de Roy com cortejo. E ela responde ao cortejo “imaginário” dando um beijo surpresa no rapaz. Claro que Paula vê tudo e não gosta nada daquilo (consequência negativa que afasta o personagem do seu objetivo).
Agora Roy terá que suar a camisa nas próximas cenas para compensar essa falha terrível.
Veja que poderíamos ter feito a cena seguir um rumo totalmente diferente. Caso fosse de nossa vontade, seria possível fazer Roy ser bem sucedido em seu intuito na cena e ter se aproximado dos familiares de Paula. Assim, ele teria dado um passo importante rumo ao seu objetivo (conquistar a garota).
De qualquer forma, a cena serve para avançar nossa trama. Ela traz elementos novos que alterarão toda a trama dali para frente.
Em outras palavras, a cena não é gratuita. Ela – e suas consequências – não pode ser simplesmente ignorada.
CENA PARA REVELAR PERSONAGEM
A cena também pode ser usada para fazer o leitor conhecer um pouquinho melhor o personagem, suas falhas e valores.
Talvez os acontecimentos da cena não sejam tão importantes para a história como um todo, mas, ainda assim, ela é útil para mergulharmos dentro da mente e coração de algum personagem da trama
Esse recurso costuma ser usado nos capítulos iniciais dos livros, onde a trama ainda está tomando forma e os grandes conflitos ainda não ocorreram, mas onde é essencial que o leitor se aproxime emocionalmente do herói.
Você também pode usar esse tipo de cena em momentos chaves da trama, quando quiser deixar clara alguma característica do personagem que você pretende explorar no futuro.
Por exemplo:
Digamos que a sua história tenha um personagem visto por aqueles ao redor como um cara correto, trabalhador e bom pai. Contudo, em algum momento posterior do livro, você quer mostrar que esse “cara bacana” na verdade é violento e abusivo com os filhos.
Se você apenas informar que o personagem é violento, o envolvimento emocional será muito raso. Da mesma forma, se você simplesmente fizer com que o personagem aja de forma agressiva de uma hora para outra, o leitor pode se sentir enganado ou então ficar com a sensação de que algo ali está fora de lugar.
Qual seria uma boa opção?
Criar algumas cenas anteriores, nas quais você mostra esse personagem em situações simples, mas onde deixa aflorar uma certa irritação e agressividade. Pode ser um comportamento excessivamente estressado durante um jogo de futebol ou então um nervosismo anormal ao ser ver preso no trânsito.
Dessa forma, você revela um pouquinho do personagem em cada uma dessas cenas e, quando chegar a hora de fazê-lo atacar os filhos, o leitor entenderá que aquilo não surgiu do nada.
Consegue ver como a cena que revela personagem é um recurso útil? Isso ocorre porque a experiência de ver o personagem se revelando por meio de atitudes é muito mais poderosa do que simplesmente ler uma informação dada pelo escritor.
Afinal, testemunhar um homem esbravejar no trânsito, xingar torcedores de um time rival até quase perder o fôlego e atacar os próprios filhos é infinitamente mais profundo do que apenas ler “Fulano era violento”.
CENA PARA REVELAR CENÁRIO
Da mesma forma que a cena pode ser utilizada para revelar mais detalhes sobre um personagem, ela também pode servir como ferramenta para mostrar mais de um cenário relevante para a trama.
Atenção, no entanto. É preciso tomar muito cuidado para não criar um excesso de descrições, o que deixaria a leitura arrastada e desinteressante.
Para não cair nessa armadilha, tente ser sucinto e direto ao ponto. Nada de enrolar por parágrafos e parágrafos descrevendo uma sala ou então o sabor de um sanduíche de presunto.
Dito isso, saiba que é válido, sim, usar a cena para dar um colorido especial ao seu mundo. Mas evite usar a mera descrição. Faça algo acontecer na cena, mesmo que seja uma coisa de menor importância.
Talvez seja importante para a sua história estabelecer que a sala de leitura da mansão do personagem principal possui uma espada samurai pendurada na parede como enfeite. Afinal, você planeja uma grande batalha naquela sala e o herói precisará daquele espada para dar o golpe final no bandido.
Sendo assim, faz perfeito sentido estabelecer aquele cenário desde já. Mas, volto a dizer: evite a mera descrição. Faça algo acontecer ali.
Quem sabe uma criança pergunte ao personagem principal que espada é aquela, ou então um encontro romântico com uma bela oriental talvez traga a história da espada à tona.
Você pode usar a cena para revelar cenário, mas trate de usar a criatividade para isso também, combinado?
CENAS DESCARTÁVEIS
Se a cena que você escreveu não pode ser encaixada em nenhuma das opções acima, sinto falar, mas ela é descartável. Livre-se dela.
Sim, eu sei, é doloroso, mas é para o bem maior. Poucas coisas prejudicam tanto o ritmo de um livro quanto cenas desnecessárias.
Lembra que eu disse que as cenas eram fragmentos interconectados que construíam o todo? Pois é, se um fragmento for fraco, ele coloca toda a trama em risco. É como ter um elo frágil em uma corrente. E você não quer isso, quer?
Já se as suas cenas cumprem pelo menos uma das funções que acabei de descrever, aí ela está trabalhando a favor de sua história.
De todas as três opções que citei, considero a primeira a mais importante. Eu acredito que toda cena deveria mover a história, nem que seja um pouquinho. Gosto de ritmos mais acelerados por meio dos quais sentimos que a trama avança a todo instante, mas isso é uma opinião minha. Tem autores por aí que preferem focar as cenas na revelação de personagens ou cenários. Tudo bem, cada um tem sua preferência e seu jeito.
Há, porém, uma alternativa muito melhor.
DOUBLE E TRIPLE DUTY
Para tornar a sua cena mais dinâmica, é interessante tentar usar pelo menos duas daquelas utilidades que citei, ao invés de uma só. Chamamos isso de double duty!
O que isso quer dizer, na prática?
Que, ao invés de criar uma cena apenas para revelar um cenário e/ou personagem, dá para fazê-la mover a história também.
De repente aquele seu protagonista está no trabalho quando acaba se irritando com uma colega e “estoura”. Ele berra, ameaçando e xingando antes de finalmente se desculpar e se acalmar.
Tudo bem, até aqui mostramos que ele é impaciente e dado a impulsos violentos. Poderia terminar por aí. Mas nós também poderíamos continuar e fazer diversos colegas testemunharem o momento de agressividade. Entre esses colegas, poderíamos ter um psicopata que vê ali a chance perfeita para cometer um crime e jogar a culpa no protagonista esquentadinho.
Entende o que quero dizer?
Autores que têm a habilidade de inserir as três funções em uma mesma cena, então – o chamado triple duty. Nossa! Esses estão um passo a frente.
Mas calma lá. A escrita de cenas é uma perícia que exige prática. Não fique frustrado caso não consiga criar uma cena em triple duty logo de cara. Isso é normal.
Se preocupe em garantir uma função, depois tente inserir duas e, só depois de dominar esta técnica, parta para três funções. E faça isso lembrando que é perfeitamente possível escrever uma boa história usando apenas uma função por cena, certo?
Esse método de criação de cena é o mais ensinado e explorado quando se trata de ficção moderna. A imensa maioria dos best-sellers atuais acaba se baseando na estrutura de cenas de Ação/Reação e os escritores parecem se adaptar bem ao formato.
Eu escrevi meus dois últimos livros de ficção utilizando a estrutura de cenas de Ação/Reação – também chamada de Cena/Sequela – e obtive ótimos resultados. Um desses livros, Quill, teve contrato de publicação na Europa e o outro, Mortos-Vivos & Dragões, eu uso para ensinar conceitos sobre o ofício da escrita.
Eu sei que, se você sente dificuldade para expressar sua trama em porções de cena, esse método resolverá o problema. Basta segui-lo passo a passo e, ao final, você terá uma cena que move a história, gera identificação e mantém o leitor preso nos acontecimentos.
Esse modelo parte do pressuposto que, hoje, trabalhamos com apenas dois tipos de cena: a Cena de Ação e a Cena de Reação. Ao aprendermos a criar cada um desses tipos e então conectá-los, conseguimos utilizar o potencial máximo da cena e ainda geramos um efeito de atração no leitor.
Vamos ver um pouco mais sobre cada um desses tipos de cena.
A Cena de Ação é o tipo mais comum de cena e, como o próprio nome diz, foca na ação. Ela é mais proativa, com o personagem tendo um objetivo e precisando superar conflitos para alcançar esse objetivo (sim, é exatamente a mesma lógica da estrutura macro da história).
Esta cena se divide em começo, meio e fim. Cada um desses momentos da cena, no entanto, trata de um elemento especial que a cena deve conter:
Para que fique mais fácil assimilar esses conceitos, vamos analisar cada um dele juntos, em passos:
Passo 1 – O Começo com Objetivo
A Cena de Ação deve começar com a escolha de um personagem que será o detentor do Ponto de Vista. Este personagem será o “Dono da Cena”, como gosto de chamar. É por meio dele que vivenciaremos todos os acontecimentos que ocorrerão na cena e, por isso, é muito importante que você obedeça os princípios e limitações de Ponto de Vista que viu anteriormente.
Durante essa primeira parte da cena, deixe claro ao leitor quem é o personagem com o Ponto de Vista e qual é o objetivo dele.
Atenção, aqui estamos falando do objetivo do personagem para a cena, não para a história.
É bem provável que o objetivo para a cena tenha conexão com o da história geral, mas o foco aqui é na cena.
O que o personagem quer naquele instante, naquele lugar?
Para melhores resultados, faça o seu personagem ter um objetivo que seja simples de entender, direto, que valha a pena, difícil, mas possível de alcançar.
Recapitulando...
No começo de sua cena você deve estabelecer:
Veja um exemplo retirado do meu livro, Mortos-Vivos & Dragões:
Ninguém é mais forte que Gawrghonite. Ninguém.
O bárbaro se mostrava irritado. Embora permanecesse imóvel sobre o pequeno banquinho de madeira, seus enormes músculos peitorais tremiam em espasmos nervosos e a boca se contraia em caretas grosseiras.
- Eu não quero apenas matá-los. Quero arrancar as tripas e usá-las como enfeites nas celebrações de amanhã.
Gawrghonite era um bárbaro, um perfeito exemplar do bravo povo dos ermos. Não, na verdade ele ia além. Com mais de dois metros de altura e músculos capazes de destroçar carne, ossos e rocha, Gawrghonite era um mercenário e gladiador livre dos mais habilidosos. Centenas já haviam tombado diante de seus golpes e a lista de honrarias à sua linhagem era imensa.
E Gawrghonite não gostava de ser desafiado.
- Você está fazendo besteira, homem. Deixe para lutar amanhã – disse um homem baixinho e magro, que andava em círculos ao redor do bárbaro. - Os verdadeiros apostadores vêm amanhã.
- Eles me desafiaram hoje.
Você consegue identificar os dois pontos que devemos estabelecer no começo da cena?
Estão bastante evidenciados, não é mesmo?
O nosso personagem que detém o Ponto de Vista aparece logo na primeira linha e o objetivo dele já surge no terceiro parágrafo, na primeira frase de diálogo.
Claro que depois de estabelecer os pontos principais eu os expliquei um pouquinho melhor, para garantir que tudo estivesse bem claro na mente do leitor. Assim, o personagem e seu objetivo seriam facilmente assimilados e compreendidos.
Não é nada muito complicado. Faça o simples e tudo dará certo. E você poderá seguir para o passo 2.
Passo 2 – O Meio com Conflito
Bom, uma vez criado o começo da sua cena, com o personagem e seu objetivo, nós avançamos para o meio, onde o conflito se desenvolverá.
O meio da cena toma a maior parte dela e é onde a ação propriamente dita acontece. Afinal, agora que você sabe o que o seu personagem deseja, é hora de dificultar a vida dele.
Basicamente você vai jogar sobre o personagem um desafio após o outro. Assim que ele resolver um problema, outro aparecerá para complicar a situação. A ideia aqui é fazer com que o personagem lute para alcançar seu objetivo.
O Passo 2 da cena é o mais fácil de entender, mas o que mais exigirá habilidade do escritor, pois ele é resumido a uma simples coisa:
No exemplo que usamos há pouco, você consegue imaginar os conflitos que inseri naquela cena? Quais desafios o bárbaro gladiador Gawrghonite precisaria superar para alcançar seu objetivo de matar os desafiantes?
Um é bem claro: ele precisará derrotar os oponentes em combate na arena.
Mas eu coloquei algumas outras coisinhas ali, para tornar a cena mais interessante:
Tudo isso são exemplos de conflito que o nosso personagem precisa superar para alcançar seu objetivo.
Ele deve vencer cada um desses obstáculos, mas, mesmo que consiga, ainda resta uma surpresinha que nos leva ao Passo 3 da construção da Cena de Ação.
Passo 3 – O Fim com Revés
Então você viu que deve começar a Cena de Ação focando em um personagem e em seu objetivo. Depois, o personagem precisará superar obstáculos para alcançar esse objetivo. Uma vez feito isso, ele consegue o que quer e tudo fica lindo, certo?
Errado.
Após termos explorado as dificuldades que você jogou no caminho do personagem, nós nos encaminhamos para o final da Cena de Ação, onde um grande problema aparece.
Se pudemos resumir o meio da cena como sendo conflito, dá pra dizer que o fim dela se trata de:
O revés – ou desastre, como chamado por alguns autores – é um acontecimento que atrapalha para valer o personagem. Na verdade, é bem comum que o revés deixe o herói em situação ainda mais complicada do que estava antes do início da cena. Muita vezes o revés parece inesperado ao leitor (certamente é para o personagem), mas deve ser construído de forma que faça sentido dentro da história.
O revés é aquele momento onde as coisas ficam tão complicadas que o próprio tempo parece parar e o nosso personagem se vê obrigado a refletir sobre os acontecimentos.
Seguindo com o exemplo da cena do meu livro, partindo do pressuposto de que o bárbaro Gawrghonite conseguiu superar todos os obstáculos que jogamos em seu caminho, qual seria um revés adequado?
Gawrghonite convenceu seu “agente” a sair do seu caminho e deixá-lo lutar naquele dia; ele lidou bem com a própria irritação e conseguiu enfrentar e vencer dois oponentes ao mesmo tempo, desferindo golpes mortais em ambos.
O que poderia acontecer de tão terrível a ponto de fazer o tempo parar para um bárbaro destemido?
Bom, considerando a natureza da minha história, precisaria ser algo que fizesse sentido, mas que fosse inesperado e assombroso.
Olha só o revés que criei:
Gawrghonite demorou a notar o vulto arás dele. Ele não ouviu nem percebeu nada. Apenas quando a plateia trocou os aplausos por gritos de surpresa foi que finalmente entendeu que algo estava errado. Seus instintos tomaram conta e a adrenalina correu pelas veias. Ele girou nos calcanhares em posição de combate e se surpreendeu com o que viu.
Gawrghonite já havia matado de tudo, mas mesmo assim se viu chocado com o que encontrou naquela arena.
Esvaindo-se em sangue, sem nenhuma possibilidade de estar vivo, mas, ainda assim, avançando, estava o primeiro irmão Korac. Aquele que fora quase cortado ao meio. Parte de seu tronco pendia para o lado, executando movimentos débeis e inúteis. A outra parte lutava para se manter ereta, o braço usando a lança de apoio, enquanto as pernas se arrastavam. Mas o que mais incomodou Gawrghonite não foi nada disso, mas os olhos. O bárbaro já apagara a luz em centenas deles. O que viu nos olhos daquele ser, no entanto, era mais do que a ausência de luz, o que viu era a própria antítese da vida.
Os oponentes do bárbaro voltaram à vida como mortos-vivos. Algo que nosso personagem certamente não esperava e nem sabia como lidar. Ainda assim, o ocorrido tem tudo a ver com o tema do meu livro (e até mesmo com o título) e força o personagem a refletir. E é isso o que precisamos para avançar na estruturação de cena, pois uma vez encerrada a Cena de Ação, nós vamos para a Cena de Reação.
A Cena de Reação surge logo após uma Cena de Ação. Ela é mais subjetiva, já que vamos para dentro do personagem e exploramos sua forma de pensar e sentir. Este tipo de cena é uma excelente oportunidade para explorar os aspectos interiores do personagem e, através disso, fazer com que o leitor se identifique com ele.
Como o nome já diz, a Cena de Reação é uma reação à ação ocorrida anteriormente. Ela envolve reflexão e termina com uma decisão.
Assim como na Cena de Ação, aqui também podemos fazer uma divisão em começo, meio e fim, com cada momento explorando um elemento:
A estrutura da Cena de Reação imita a própria reação humana quando nos deparamos com um grande problema.
Imagine que você está andando na rua, à noite, e é abordado por um assaltante. O bandido aponta uma arma para a sua cabeça e pede todo o seu dinheiro.
Como você reagiria?
A sua primeira reação seria emocional. Provavelmente você sentiria medo, suas pernas fraquejariam e o estômago daria voltas. Talvez você sentisse raiva e indignação também, ou quem sabe uma fúria difícil de controlar.
Depois disso, a racionalidade entraria em jogo e você analisaria a situação com a sua lógica. Talvez percebesse que o assaltante estava tremendo, nervoso, mal conseguindo segurar a arma. Talvez você pensasse que treinou para situações como essa em suas aulas de Krav Maga e que poderia desarmá-lo. Ou quem sabe você apenas fizesse um cálculo rápido do quanto tinha na carteira e concluísse que não sairia muito no prejuízo. De qualquer forma, você refletiria sobre qual rumo seguir: reagir ou entregar o dinheiro?
Por fim, você decidiria que não vale a pena arriscar a vida por causa de poucos reais e entregaria a grana ao bandido. Você tomaria uma decisão.
A Cena de Reação é isso. Ela imita a resposta humana em todos os sentidos. Mas, para garantir a compreensão, vamos analisá-la passo a passo também:
Passo 1 – O Começo com Reação
Você lembra que a Cena de Ação termina com um revés, certo? Pois bem, a Cena de Reação se inicia imediatamente após esse momento, com o personagem reagindo ao revés.
Mostre como o personagem se sente com relação ao desastre que acabou de acontecer. Quais são seus sentimentos? Quais efeitos esses sentimentos acarretam no seu corpo e mente?
Você deve fazer o personagem ter uma reação emocional ao que acabou de vivenciar, até que possa assumir novamente o controle de suas emoções.
A reação não possui um tamanho definido dentro da Cena de Reação. Isso varia de acordo com o seu desejo de explorar o emocional do personagem e com a própria natureza da sua história. Livros mais introspectivos irão carregar mais a mão nesse aspecto enquanto que livros mais voltados à ação provavelmente manterão uma reação curta e direta.
Em mais esse trecho do meu livro, Mortos-Vivos & Dragões, repare como a reação do bárbaro Gawrghonite é extremamente curta:
O estômago de Gawrghonite se transformou numa fornalha, espalhando calor goela acima. Seu rosto se irrigou de sangue.
Com apenas duas frases eu mostrei a fúria crescente do personagem. Senti que isso era o bastante para a cena, porque se tratava de uma passagem de muita ação e eu quis manter o ritmo acelerado.
Porém, não há nada de errado em explorar o aspecto emocional mais a fundo. Tudo depende do tipo de história que você está contando e até mesmo do seu próprio estilo como autor.
O que é importante deixar claro aqui é que a reação é emoção crua. Ela deve durar enquanto as emoções do personagem estiverem à flor da pele. Quando o personagem abandonar a mera emoção para também usar o seu racional (mesmo que seja um racional parcial), aí partimos para o próximo passo.
Passo 2 – O Meio com Dilema
Uma vez passada toda aquela emoção da reação, é hora de fazer o personagem pensar um pouco. Ele deve analisar aquela situação complicada em que está e explorar alternativas para sair dela.
Pergunte a si mesmo quais são as coisas que ele pode fazer para tornar tudo um pouco menos pior.
Muita atenção a esse menos pior aí.
Sim, pois você não deve facilitar as coisas para o personagem. Nada de dar uma saída fácil e tranquila para ele. O nosso herói deve esquentar a cabeça pensando em alternativas, mas nenhuma delas pode ser uma boa alternativa. Elas devem ser complicadas e desagradáveis, forçando o personagem a escolher a menos pior entre elas, entende?
Como o dilema se passa dentro da cabeça do personagem, em outro tipo de tempo, você decide o quanto quer explorar esse recurso. Pode ser algo resolvido em um parágrafo ou se arrastar por algumas páginas. Aqui, como em muitas coisas que envolvem a escrita, o seu bom-senso será o guia.
No meu caso, descobri que fico confortável dedicando poucos parágrafos ao dilema. Apenas o bastante para situar o leitor nesse conflito mental do personagem. Assim, eu consigo deixar algumas coisas subentendidas e não corro o risco de me alongar demais em explicações – o que, caso eu não tome cuidado, é uma das minhas falhas.
Também não se preocupe em fazer de todo dilema uma questão de vida ou morte. Quando comecei a usar esse tipo de construção de cena, eu tinha grande dificuldade em criar dilemas, porque achava que eles sempre deveriam ser magnânimos e grandiosos. Não é nada disso. Basta que sejam opções difíceis ao personagem, questões realmente incômodas para ele e que o forcem a optar por uma nova linha de ação.
Veja como utilizei o dilema em mais um trecho de Mortos-Vivos & Dragões:
E agora, o que Gawrghonite deveria fazer? O fato de estar lutando contra coisas mortas o deixara furioso. Seu ímpeto animalesco era o de ficar ali e massacrar tantas daquelas deformidades quanto possível. Provavelmente morreria quando a horda que tomava conta das arquibancadas decidisse descer e invadir a arena. Por outro lado, se seguisse o velho, viveria para descobrir quem era o responsável por toda aquela covardia. Poderia matar o verme e trazer grande honra ao nome de sua tribo. O problema era aquela coisa de fugir. Gawrghonite nunca fugia.
Simples, não é?
O bárbaro se vê em uma situação na qual basicamente tem apenas duas opções: ou ele enfrenta uma imensa horda de mortos-vivos e morre em combate ou foge.
Pode parecer uma escolha fácil de se tomar, mas há um agravante que muda tudo para o nosso personagem: em outros momentos desta e de outras cenas, eu construí a identidade de Gawrghonite como um orgulhoso bárbaro da tribo Drakkar. E os bárbaros Drakkar encaram a fuga como algo desonroso e inferior.
Para mim ou para você, fugir da horda de mortos-vivos faz todo o sentido. Mas, para Gawrghonite, é uma escolha muito difícil. Um verdadeiro dilema.
Seja como for, em algum momento o nosso personagem precisará sair de cima do muro e decidir o que fazer. O que nos leva ao último passo da Cena de Reação.
Passo 3 – O Fim com Decisão
A decisão é exatamente isso que você está pensando.
Aqui é o ponto da cena no qual o personagem, após analisar as opções do dilema, finalmente opta por uma nova linha de ação. Ele decide como vai agir.
Se tomássemos o exemplo que eu dei acima, a decisão seria a escolha de Gawrghonite por lutar ou fugir. No momento em que ele toma essa decisão, podemos terminar a cena.
Ao concluir a Cena de Reação com a decisão, nós também acabamos criando um gancho interessante que fará com que o leitor queira virar a página e começar a ler a próxima cena.
Claro. Afinal de contas, o leitor quer descobrir se a decisão tomada pelo personagem o levará por um bom caminho ou apenas deixará tudo ainda pior.
Para gerar esse efeito, no entanto, você deve tomar alguns cuidados na hora de fazer o seu personagem tomar a decisão.
Em primeiro lugar, essa decisão deve ser simples e objetiva. O personagem deve claramente decidir algo e se comprometer com essa decisão. Ele quer fazer aquilo, entende? Nada de ambiguidades nesse momento.
Em segundo lugar, a decisão precisa ser facilmente percebida pelo leitor.
A decisão também deve fazer sentido para o personagem. Tudo bem fazer um guerreiro optar por uma batalha, mas fazer um covarde se decidir pela mesma batalha pode ficar bastante estranho e irritar o leitor.
Por fim, deve existir uma tensão pairando sobre a decisão. Ela não é uma certeza, afinal. Pode ser que o caminho escolhido pelo personagem tenha sido uma péssima escolha e acarrete ainda mais problemas.
Preste atenção nesses pontos e você conseguirá fazer o seu leitor continuar virando páginas durante a madrugada ao invés de apagar o abajur e dormir.
CRIE UMA CENA DE AÇÃO/REAÇÃO:
Você começa a sua cena decidindo qual será o personagem protagonista dentro dela. Então, você parte para a Cena de Ação e, depois, já segue com uma Cena de Reação.
Em ordem, a montagem da cena ficaria assim:
1. Escolha do personagem protagonista da cena.
Cena de Ação:
2. Objetivo do personagem.
3. Conflito/ Obstáculos.
4. Revés.
Cena de Reação:
5. Reação.
6. Dilema
7. Decisão.
Nova Cena de Ação a partir da decisão tomada.
Os 13 passos para escrever um livro:
Principais causas do Bloqueio de Escritor:
Algumas soluções:
Mesmo com tudo o que falamos até aqui sobre as vantagens e importância de se utilizar uma técnica de estrutura, pode ser que você simplesmente não se adapte à ideia de seguir uma trama cuidadosamente planejada.
Talvez a sua criatividade trave quando você estuda os aspectos da estrutura. Quem sabe você só descubra a sua história conforme avança nela. Ou de repente você não tem nenhum prazer nesse lado mais planejador de uma trama.
Bom, nesse caso, será que ainda tem jeito? Será que dá pra escrever um livro mesmo assim?
Sim. Dá, sim.
Mas atenção, isso não é uma desculpa para você não estudar ou nem ao menos tentar utilizar as técnicas de criação de trama. Eu acredito pra valer que elas sejam de grande ajuda para qualquer escritor que queira escrever de forma profissional.
Dito isso, há escritores que conseguem escrever muito bem sem um planejamento e até mesmo alcançar grande sucesso dessa forma. Como exemplo, temos o próprio Stephen King, que afirma não utilizar nenhuma técnica de trama.
Segundo o próprio King, ele apenas coloca os personagens em situações complicadas e vê como eles se livram delas. Essa é a sua estrutura.
Vale dizer, no entanto, que King sempre foi um leitor voraz e um devorador de histórias em diversos meios. E uma pessoa assim, principalmente uma que produz tanto quanto ele (cerca de 4 mil palavras por dia, todos os dias), acaba por assimilar noções de estrutura de forma natural, como uma segunda natureza.
Se você se identifica com o caso, se você não consegue criar de forma estruturada, mas lê bastante, assiste seriados, vê filmes e, principalmente, pratica diariamente... Bom, há chances de isso vir a acontecer com você também.
Desde que você dê muita atenção a duas coisinhas: lógica e bom-senso.
A essa altura você já deve estar careca de saber que toda história pode ser simplificada a alguém buscando algo e precisando superar desafios para conseguir esse algo, certo?
Pois bem, com isso em mente, você pode abandonar maiores preocupações com estrutura ao se concentrar no seu personagem (que você já aprendeu como criar neste curso) e na busca dele.
Simplesmente pense em qual é o desejo do personagem e faça cada novo capítulo ser um passo nessa busca.
Às vezes o personagem conseguirá chegar mais perto do seu objetivo, às vezes tropeçará e será preciso se reerguer antes de continuar, mas ele passará o livro todo atrás daquilo que seu coração quer... até o momento do Clímax, quando uma resposta precisará ser dada, quando descobriremos ser teremos um final feliz ou uma tragédia.
O segredo aqui é o encadeamento. Faça com que as partes estejam conectadas. Pense em termos de causas e consequências.
Tudo deve acontecer em uma sequência de momentos, parágrafos e capítulos. E é aí que entra a lógica.
Veja bem, ficção é algo muito mais complexo do que a realidade, já que ela precisa fazer sentido enquanto que a “vida real” normalmente é uma coisa maluca, sem pé nem cabeça. Então, ao escrever, você precisa tomar todo o cuidado possível para que os acontecimentos narrados se encaixem uns nos outros, como peças de um quebra-cabeça que vai sendo montado conforme a história avança.
Em um livro, não há espaço para capítulos inúteis. Em uma história, não podemos nos dar ao luxo de contar aquilo que não importa.
Tudo deve estar ligado. Uma coisa leva a outra que leva a outra que leva a um fim não apenas factível, mas inevitável.
Se você quer escrever sem utilizar estruturas narrativas, se quer navegar por águas misteriosas, deve ao menos conhecer o seu barco e a sua tripulação bem o bastante para lidar com os monstros pelo caminho.
Entenda a essência da história e seja inteligente na forma de contá-la: alguém querendo algo e enfrentando desafios. Tudo isso em uma sequência de eventos conectada e que faça sentido.
Simples. E, como todas as coisas simples, difícil pra caramba de acertar.
Mas, se você acha que esse é o seu caminho, então invista nele e se comprometa com uma prática diária.
Antes de terminar, deixo ainda uma dica final para os que querem escrever sem estrutura:
Viva!
Viva com grande atenção.
Você verá que, embora a vida pareça uma bagunça, as nossas maiores conquistas são guiadas por uma espécie de estrutura invisível, uma trama que nos guia rumo a nossos sonhos e desejos. E, se sentimos isso na própria pele, reproduzir na página não pode ser tão difícil assim, não acha?
“Escrever é reescrever”.
Muita gente atribui essa frase ao grande escritor brasileiro Moacyr Scliar; outros ao editor Sol Stein, e tem ainda quem fale que foi o próprio Hemingway quem eternizou o bordão.
Não importa.
Fato é que, quando você se aprofunda no estudo das técnicas de criação de histórias e escrita criativa, acaba se deparando com esse ditado de tempos em tempos.
Mas o que ele quer dizer?
Quer dizer que nenhuma obra fica pronta já na primeira versão.
Depois de concluída a escrita, ainda temos mais suor para derramar e muita coisa para polir. Afinal, se para o escritor a produção de um livro é comparável a uma maratona, para o leitor a sua leitura é como uma corrida de obstáculos. E se ele tropeçar em muitos obstáculos, pode ser que desista do trajeto.
Sendo assim, na hora de revisar e editar o seu manuscrito, fique atento a esses pontos:
Sentir o chamado para escrever um livro é incrível, mas vamos ser sinceros: só inspiração e força de vontade NÃO vão te transformar em um escritor de sucesso.
A triste verdade é que muitos talentos promissores fracassam porque acreditam naquela velha história de que é só se esforçar e pronto.
Eu sei, é frustrante. E a culpa não é sua. Foi isso que te ensinaram desde o início da sua jornada criativa. Mas calma, porque eu tenho uma boa notícia para você: é possível reverter essa situação!
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Como aproveitar melhor o seu tempo.
Como ter mais e melhores ideias.
Quais são os elementos mais importantes da sua história.
Como criar personagens que encantem o leitor.
Como utilizar valores conflitantes para dar profundidade aos personagens.
A importância do protagonista e do antagonista.
4 métodos de criação de personagem.
Como estruturar uma história por meio dos 3 Atos.
Como estruturar uma história por meio dos Pontos de Trama.
O que é e como utilizar um outline.
Como construir cenas que prendam a atenção do leitor.
Como superar o bloqueio de escritor.
Módulo Como Criar Um Primeiro Capítulo Matador:
A importância do primeiro capítulo.
As funções que o primeiro capítulo deve cumprir.
Como transformar o seu primeiro capítulo em uma promessa atrativa.
Como selecionar o momento certo para mostrar no seu primeiro capítulo.
Como explorar objetivos/necessidades da forma certa.
Bastidores de um primeiro capítulo: exemplo prático.
Módulo Como Escrever Diálogos:
O que é e o que não é diálogo.
A forma correta de abordar diálogos.
Elementos que devem estar no diálogo para entreter o público.
Como usar o diálogo para melhor caracterizar os seus personagens e impressionar os leitores.
Dicas e boas práticas para aprimorar os seus diálogos.
Módulo Questões Sobre Direito Autoral:
Introdução ao Direito Autoral.
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