
Este curso é um percurso objetivo pelos fundamentos da subjetividade e da intersubjetividade na psicanálise, com base em Freud e, sobretudo, nas elaborações de Lacan. Você vai compreender por que, em psicanálise, o sujeito não se reduz ao “eu” consciente: trata-se do sujeito do inconsciente, constituído no campo da linguagem. A partir dessa perspectiva, discutimos como a realidade é atravessada pela palavra e por que a linguagem não oferece significados definitivos — ela inclui faltas, cortes e descontinuidades que marcam a própria constituição do sujeito.
Em seguida, avançamos para os operadores lacanianos que ajudam a pensar a formação do sujeito: a alienação e a separação, articuladas ao circuito pulsional, ao enigma do desejo do Outro (“o que o Outro quer de mim?”) e ao surgimento do objeto a como causa do desejo. Esses conceitos permitem ler a produção sintomática e as formas de sofrimento como respostas singulares à posição do sujeito diante do Outro.
A dimensão intersubjetiva aparece não como “psicologia das relações”, mas como efeito da fala e da escuta: há interlocutor e ouvinte, e a experiência analítica pode ser pensada como uma comunicação em que o emissor recebe do receptor sua mensagem “sob forma invertida”.
Por fim, o curso situa esses fundamentos na atualidade, discutindo a pluralização dos modos de subjetivação, o ritmo acelerado do mundo contemporâneo e os impasses do sujeito diante do vazio, do consumo e do gozo.