
Olá, alunos e alunas...este é um "curso" um tanto diferente. Essa aula pretende provocar as seguintes perguntas:
-De onde você vem? Você conhece a história de seus antecedentes?
- O que você identifica como traços de personalidade que você traz em si, vindos dos seus pais, avós..
- Como analisam as relações entre adultos ( pais, professores...) e crianças e adolescentes?
- As "coisas' mudaram muito do seu tempo para os tempos de hoje? ( Análise fundamental!)
- O que a nossa realidade tem nos revelado sobre a saúde mental e integral do universo infanto-juvenil?
- Vocês defendem a criminalização de crianças e adolescentes?
Questões importantes para compreendermos nossa visão de mundo, nossos conceitos, preconceitos, valores,..e de que forma essa bagagem pessoal que trazemos se comunica e se interrelaciona com o momento de mundo atual.
OBS>: Todas as aulas têm a indicação de uma música que ilustra cada tema, sugiro que acompanhem a musicalidade com a letra.
Estamos vivendo um momento de 'mundo' em profundas transformações. Esses trabalhos em forma de livros aqui apresentados foram publicados em torno do ano 2001/2003...imaginem! A intensificação da tecnologia; as mudanças entre gerações sofreram um aumento do distanciamento dos diálogos; os profissionais, principalmente da Educação, estão tendo dificuldades de acompanhar o ritmo dos tempos...portanto, família e escola estão carecendo de muita atenção. Ao meu ver, e vou insistir depois de 20 anos no mesmo caminho, o humanamente mais saudável é: DAR VOZ e VEZ ao que as novas gerações estão nos revelando em seus comportamentos, preferências, sexualidade, insatisfações, estados de humor, linguagem... e sobretudo, assumirmos a nossa responsabilidade de adultos em relação a eles e elas. Quando olhamos com atenção devida para a nossa história pessoal - a que vivemos no nosso tempo -conforme aula anterior, abriremos a possibilidade de estabelecermos uma dimensão reflexiva do que mudou, está mudando e até prospectar futuras mudanças que estão por vir. Dessa forma, estaremos contribuindo para formarmos novas gerações mais saudáveis! Pensem a respeito!
Nossa sociedade é constituída por instituições e organizações nos setores público e privado; de associações livres ou formais, enfim, nós, os humanos, temos uma necessidade básica e vital de nos relacionarmos em grupos com vários propósitos. Se todo e qualquer arranjo grupal é formado por pessoas, a condição pessoal de um membro participante de um grupo será sempre um fator de influência sobre o resultado final de todos os processos sociais. E, dessa forma, podemos deslizar rapidamente para uma expressão, já coloquial, de que "tudo afeta o todo e o todo a tudo afeta". Essa é uma premissa básica constatada nas nossas vidas, só que, de maneira bem geral, ninguém pára muito para pensar nisso. Massss, assim é: uma lei universal - desmate uma floresta num ponto e teremos efeito el nino no outro.
A partir daí, se queremos ter um mundo melhor e certamente é o que a maioria das pessoas quer, é importante observarmos e ficarmos atentos de como a sociedade funciona e tomarmos para nós a responsabilidade da nossa contribuição ou a nossa não-contribuição nos espaços em que atuamos e vivemos. E podemos falar de um estado intermediário que alguns grupos de pessoas se estacionam: na indiferença
Fica aqui , fundamentada pelo vídeo, uma experiência relatada de um movimento comprometido com a humanização e crescimento social e uma outra de não-contribuição, formando um jogo de forças polarizadas que, ao final, desidratam as relações interpessoais, organizacionais e institucionais. E esse processo descortina uma dinâmica adoecedora para os sujeitos, a sociedade, um país e o mundo em dimensões planetárias.
Fica com vocês a seguinte pergunta crítico-reflexiva: sua forma de ser e estar no mundo é de contribuição, de indiferença ou não-contribuição com o coletivo?
Dando continuidade às discussões sobre os processos humanos dentro dos grupos e instituições: importante tornamo-nos conscientes de como se dão nossas relações interpessoais e como somos afetados e afetamos o social: FAMÍLIA - ESCOLA - INSTITUIÇÕES diversas - GOVERNOS. Cada um de nós trazemos na nossa Linha do Tempo essas experiências conforme a vivenciamos : positivamente ou negativamente.
E assim, me parece, ainda será pelos tempos vindouros ( espero que sim!) antes de sejamos tomados pelo futuro que desconhecemos.
Durante a nossa caminhada então, somos convidados a experienciar, através das nossas relações sociais mais diversas, uma infinidade de sentimentos diante do que vivenciamos: prazer, angústia, alegria, medo, raiva, frustrações, realizações, desesperanças, ânimo e desâmino... a lista não tem fim.
ENTRETANTO, a FORMA como lidamos com esses sentimentos é que fará a diferença no nosso estágio de humanização: se as experiências vão nos melhorar como pessoa para o nosso autoconhecimento, desenvolvimento e amadurecimento, permitindo-nos deixar intacto o nosso crédito na Vida ou se seremos afetados negativamente num processo de endurecimento, desistência, indiferença, omissão, violência a tal ponto que passamos a endossar um descrédito ao viver, nesse caso, assumirmos um estado de 'walking deads' ( mortos vivos).
Creio que, depois dessas mini-aulas, vocês poderão olhar para si mesmos e fazerem uma boa autoavalição!
Se nos voltarmos para o vocábulo SAGA (rsrs), obteremos o seguinte significado: é uma narrativa ou história contada, em geral de ficção, entremeada de incidentes, desafios, superações e outros tantos confrontos, conflitos e superações.
Mas a VIDA de VERDADE é uma SAGA. Cada um de nós sabe disso. Nosso percurso como seres humanos não é fácil para ninguém, embora muitas vezes, tenhamos essa falsa percepção. Não há quem não pense diante de um desafio: Por quê comigo?
Desafios, na verdade, nos movem, caríssimos alunos e alunas: faz a gente andar; desconstruir concepções e reconstruir; deixar morrer e findar e depois renascer; desmanchar e refazer...e assim vamos seguindo como Humanidade. E esse processo de construção de nós mesmos é sem fim, dentro da perspectiva dialógica de ser humano e mundo.
Porém, como profissional da Psicologia, percebo que o movimento de se permitir ser 'Ser Mutante' vai ficando mais trabalhoso no decorrer da idade, embora temos essa condição até ficarmos velhinhos. " Somos seres inacabados" , como nos diz Paulo Freire em todos os seus livros.
E como tal, o jeito como o mundo está hoje é de nossa responsabilidade e da responsabilidade de todas as gerações que nos antecederam.
O mundo do futuro porém pertence às nossas crianças e adolescentes.
Portanto, " não devemos ser os construtores desse futuro, não temos o direito de dizer as nossas crianças como construir o seu futuro já que nos mostramos incapazes de construir o nosso próprio presente. O que podemos fazer, no entanto, é dizer às nossas crianças exatamente onde e como falhamos. Podemos, além disso tudo, fazer tudo o que for possível para remover os obstáculos em seu caminho na construção de um mundo novo e melhor para elas." (REICH, Crianças do Futuro, 1950)
Essa gente miúda parece que são só aprendizes, e o são. Mas temos muito o que aprender com ela.
Portanto, alunos e alunas, recado maior do que esse não há, exatamente nesse momento que estamos vivendo e vendo os gritos do mundo infanto-juvenil numa saga que envolve um grande adoecimento da nossa sociedade.
É a grande pergunta que fica para vocês nessa aula!
Como eu dizia anteriormente, eu acredito em tudo o que aqui deixei para vocês que abriram essa janela.
SerMaisHumano é uma marca que eu criei, uma assinatura que dei para representar meu trabalho e toda minha produção feita até aqui. E como podem ver, continuarei produzindo..com muitas, mas poucas pessoas, que também sintam que somente assim, tão somente em cima dessas concepções, poderemos SER melhor, MAIS humanos, HUMANOS melhores e assim sendo, certamente teremos um mundo melhor: a começar por cada um de nós, na nossa casa, na nossa rua, na nossa cidade, no nosso estado, no país, no nosso continente, no MUNDO.
E precisamos nos encontrar, nos reunir, conversar, dialogar, discutir e REFAZERMO-NOS, para que possamos mudar as rotas que já se mostraram equivocadas e criarmos as mínimas condições para os que estão no porvir da Humanidade: nossas crianças, adolescentes e jovens. São os que nos cuidarão quando estivermos idosos...rs.
Vamos à luta, nossa SAGA pode ser melhor do que tudo isso que estamos vendo e vivendo!!
Portanto:
SerMaisHumano é pleonástico sim! Já que é urgente dar vigor ao nosso melhoramento como pessoas!
SerMaisHumano é uma meta sim! Pelo menos, para todos os que se sentem irmanados nessa causa!
SerMaishumano é um busca sim! Por que somos seres inacabados e como tal, a busca não acaba nunca!
Trata-se de um 'curso' simples, introdutório, como uma forma de despertar um público interessado em pensar, repensar e refletir temáticas humanas contemporâneas, a partir de uma breve autobiografia profissional produzida no decorrer da minha linha do tempo com 61 anos na estrada da vida. O objetivo é avaliar a disposição das pessoas em tomarem para si a responsabilidade pela própria história e resgatar o que há em nós de mais valioso: a nossa humanidade. Vivemos tempos de complexidades. Em todos os espaços institucionais, os ambientes revelam uma tensão estranha, ainda sem nome, que precisamos dar legendas mas, para isso, o foco está em olhar com muita atenção o que está abaixo da ponta do iceberg. Somos seres multi-capazes mas, paradoxalmente, limitados e ainda temos muitas dificuldades de lidarmos com nossa dicotomia, portanto, vivemos em conflitos internos e externos, numa busca meio insana por algo que nem sabemos bem o que é. Portanto, para iniciar esse suposto 'caminho do ensinar' o outro ou para o outro, audasiosamente lanço aqui esse 'experimento' que pode parecer muito pessoal mas que, em si, contém vetores que estão contidos em todos outros humanos e que precisam ser postos para que, juntos, possamos compor um conjunto mais harmonioso entre nós, humanos , e todas outras criaturas e criações existentes.