
Resumo do meu livro "Redes Neurais em termos simples: como aprendemos, pensamos e modelamos (com entrevista comentada ao ChatGPT)", que serve como base para o curso.
Anexado uma cópia do ebook oficial, que gerou o curso, 100% gratuito!
A popularização do ChatGPT reacendeu o interesse em inteligência artificial — mas não necessariamente ampliou o entendimento científico sobre o tema. Pelo contrário: multiplicaram-se afirmações equivocadas de que “o chat pensa” ou “aprende”. Ele não pensa, porque é um modelo estatístico de linguagem; e não aprende, porque é um modelo pré-treinado. A magia percebida não é cognição — é cálculo.
Estamos nos tornando dependentes de sistemas que poucos compreendem. Este é o alerta que venho fazendo desde 2013: inteligência artificial exige cientistas, não apenas entusiastas. Novas tecnologias criam novas áreas — e a IA, filha direta do avanço computacional, é hoje dominada por jovens criativos, brilhantes e frequentemente autodidatas. Mas criatividade sem fundamentos técnicos pode gerar soluções poderosas… e perigos mal compreendidos.
Quando escrevi a primeira edição deste livro em 2013, minha preocupação central era a ascensão silenciosa da Google™. Não apenas o mecanismo de busca ou os smartphones — ainda raros no Brasil na época —, mas a forma como a empresa coletava dados enquanto o público mal percebia o valor dessa informação. Antes mesmo do discurso de “dados são o novo petróleo”, a Google já extraía essa matéria-prima na surdina. Só recentemente passou a pedir consentimento explícito ao usuário. Para muitos, os dados coletados no passado beiram a noção de “dados roubados”.
Minha inquietação sempre foi um nível acima: dados alimentam algoritmos inteligentes. E algoritmos inteligentes podem ser usados tanto para marketing inofensivo quanto para vigilância sistemática.
Para ilustrar: enquanto escrevia um e-mail mencionando “Superprof” e algumas palavras-chave de programação, anúncios de professores — inclusive eu mesmo — começaram a pipocar na interface. Coincidência? Talvez. Mas é precisamente essa incerteza que revela o problema: sistemas opacos, decisões invisíveis e uma extração de dados cada vez mais intrusiva.
E se isso ocorre em plataformas comerciais, imagine o potencial de um Estado centralizador. A China já é monitorada por organismos internacionais devido ao uso massivo de IA para vigilância e possível violação de direitos humanos, construindo o que alguns chamam de “a primeira prisão aberta da história”. Inteligência artificial precisa de dados, e a China tem ambos: dados e centralização.
Este curso nasce desse cenário — do alerta, da curiosidade científica e de uma necessidade urgente de alfabetização em IA. Aqui, você entenderá o que esses modelos realmente são, o que não são, e por que compreender seus mecanismos é tão importante quanto saber usá-los.
Inclui uma cópia gratuita do meu e-book oficial, que deu origem a este curso.