
Este curso propõe um percurso aprofundado pela relação entre psicanálise e sociedade, explorando como o sujeito se constitui não apenas a partir de sua dimensão individual, mas também no interior das estruturas sociais, culturais e simbólicas. A psicanálise nasce, desde Freud, como uma resposta ao sofrimento humano situado no cotidiano e nas tensões próprias da vida social, revelando que o inconsciente não é isolado, mas atravessado pelas relações com o Outro e pelos discursos que organizam a cultura.
Ao longo do curso, você compreenderá como conceitos fundamentais — como trauma, identificação, desejo, gozo e laço social — se articulam na construção da subjetividade. A partir da leitura de textos clássicos como “Psicologia das massas e análise do Eu”, analisamos como os grupos se estruturam a partir de identificações e idealizações, revelando o papel do líder e das relações de poder na formação das massas.
Avançando para a contemporaneidade, o curso aborda as transformações culturais, o declínio das referências tradicionais, as novas formas de subjetivação e os efeitos do capitalismo sobre o sujeito, incluindo a exigência de gozo e a relação entre identidade e consumo.
Também serão discutidos os efeitos dos traumas no psiquismo, tanto em sua dimensão clássica quanto nos chamados “microtraumas do cotidiano”, que impactam diretamente a experiência subjetiva moderna, produzindo sentimentos de vazio, desamparo e fragilidade psíquica.
Mais do que um curso teórico, esta é uma ferramenta de leitura crítica da realidade: ao final, você será capaz de analisar as relações sociais, os discursos e os fenômenos contemporâneos sob uma perspectiva psicanalítica, compreendendo o sujeito como efeito de uma rede complexa de linguagem, desejo e cultura.