
Nesta aula, você irá aprender:
O que é português como língua de herança (PLH ou POLH), o português falado por quem mora em lugares onde outras línguas são faladas.
O que é língua majoritária e língua minoritária.
Que os perfis das famílias e a exposição que ela proporciona às crianças variam muito – e por isso temos perfis muito diferentes de falantes de PLH/POLH. E tudo bem!
Que você não deve comparar seu filho plurilíngue com crianças que crescem no Brasil – e por quê.
Ao final, apresentamos uma breve leitura para aprofundar essas reflexões iniciais.
Fortes revelações nesta aula: talvez uma super fluência em português não seja necessária para "chegar lá", chegar nesse "lugar" que você, como pai ou mãe, desejaria que seu filho chegasse ao usar essa língua.
Muitas vezes, o desejo de que os filhos saibam português está vinculado ao desejo de que eles se sintam brasileiros (como você, pai ou mãe) e possam participar das práticas culturais que o grupo de falantes dessa língua faz (ou seja, fazer coisas que os brasileiros fazem, e, para fazê-las, usam o português). Será que é o seu caso?
Ter algum conhecimento da língua ajuda a se inserir de forma bastante satisfatória nessas vivências e, com isso, a torná-las parte da identidade de quem fala português. Para que isso aconteça, nem sempre é necessário falar um português super fluente.
Ensinar português aos filhos é um projeto de vida. Como anda esse propósito na escola de valores da sua família?
E, em algum momento, conforme seu filho ou filha cresce e se torna cada vez mais sujeito de sua própria vida e responsável por suas decisões, isso se transformará (ou não) em algo que depende mais dele ou dela que de você, como pai ou mãe.
Nossas competências (entender, falar, ler e escrever) em cada língua que sabemos são diferentes.
E a relação afetiva que construímos com cada uma delas também!
Nessa aula, usamos como ponto de partida a nossa experiência, de adulto imigrado, para organizar melhor essas informações e entender como essas relações podem se dar na vida de nossos filhos.
Vale lembrar que transmitir o português em casa é uma opção, e não obrigação. Nem todo mundo tem vínculos ou experiências positivas com o que viveu em português na vida e, sim, pode haver quem decida deliberadamente não ensinar português aos filhos.
Com esta aula, devemos também começar a refletir sobre que tipo de experiências proporcionamos a nossos filhos em português. São experiências positivas, prazeirosas, que eles desejarão repetir e relembrar? Ou são cobranças e exigências sem fim?
Uma relação afetiva positiva com o português será uma das grandes motivações para que seu filho continue a usar e aprender essa língua ao longo da vida.
Como pai e mãe, você é um grande facilitador desse processo.
Os usos do português no dia a dia devem estar conectados a experiências agradáveis, positivas e significativas. Ampliar o repertório dessas vivências é um caminho para construir o vínculo com a língua e também para que o falante opte por torná-la parte de sua identidade.
Um ponto importante que trazemos nesta aula: como você, pai ou mãe, reage quando seu filho erra ou não usa o português da forma adequada? Se você é muito crítico ou exigente, pode estar sinalizando as falhas, e não o progresso.
Se você se dirigiu a ele em português, consegue perceber se ele entendeu tudo que você disse? Usar una língua não é só falar, é também entender.
Para finalizar, trazemos uma leitura que nos lembra que a relação afetiva com uma língua nem sempre é positiva. Até agora, falamos sobre os cuidados para que a transmissão da língua de herança seja pelo caminho do afeto e de forma a motivar as crianças no percurso.
Como veremos nesse texto, mesmo quando não se transmite a língua pode haver uma cobrança dos filhos mais adiante por não ter tido acesso a uma parte de sua história que lhes foi negada. A falta da língua de herança também pode ser difícil – tão difícil quanto ensiná-la.
A publicação original não está mais disponível, mas esta leitura pertinente continua disponível no link abaixo.
Bilinguismo, ah, essa grande controversa!
Afinal, o que é necessário para ser bilíngue?
É possível ser bilíngue sem saber escrever numa das línguas? Ou só sabendo ler, mas sem saber falar ou escrever?
Nesta aula, aprofundamos essa discussão para ir além do entendimento de que "ser bilíngue é saber duas línguas". O que será que isso quer dizer exatamente?
E, mais importante: qual o seu entendimento de bilinguismo? É com base nele que você irá trilhar seu caminho do português em casa.
Após assistir o vídeo, faça a leitura do texto selecionado para complementar a discussão.
Nesta aula, abordaremos os seguintes pontos:
Um sujeito bilíngue não é a soma de dois sujeitos monolíngues.
Línguas diferentes são usadas em contextos diferentes e, portanto, proporcionam que habilidades diferentes sejam desenvolvidas.
Os pactos da comunicação plurilíngue são diferentes daqueles em contexto monolíngue: o que é inadequado para um sujeito monolíngue pode não ser para sujeitos plurilíngues.
Práticas translinguísticas (ou translinguajar): as translingual practices são essa forma própria das pessoas plurilíngues se comunicarem, transitando entre as diferentes línguas de seu repertório linguístico.
Bilinguismo equilibrado: mito, realidade ou necessidade?
Espero que estas reflexões ajudem você a definir seu caminho do português em casa, de forma a que os usos de cada língua da sua família sejam satisfatórios e plenos para que vocês possam estar no seu mundo plurilíngue.
Como complemento a esta aula, deixo uma leitura que ajuda a pensar esses novos espaços entre línguas e culturas que construímos para nossos filhos.
Uma revisão dos principais conceitos discutidos ao longo do curso para ter certeza que sua bússola do bilinguismo está calibrada e você sabe, daqui pra frente, qual rumo seguir com o português em casa.
Não deixe de baixar a leitura Como manter e desenvolver o português como língua de herança: sugestões para quem mora fora do Brasil, e reserve um tempo para lê-lo com calma.
Este material foi desenvolvido por duas grandes entendedoras do assunto, a Ivan Destro Boruchowski e a Ana Lúcia Lico, e está disponível no site do Ministério de Relações Exteriores do Brasil.
Nesta aula bônus, apresentamos duas estratégias práticas para você poder colocar sua bússola do bilinguismo para trabalhar:
1) Como ampliar a exposição do seu filho ao português
Quanto maior a exposição, maior o aprendizado e mais as possibilidades de que seu filho desenvolva as competências de entender e falar.
Ampliar a exposição significa:
Ampliar o tempo de uso do português com a criança;
Ampliar a qualidade da exposição: maior repertório de situações e interlocutores para usar a língua.
A exposição deve ocorrer por meio de situações reais de uso e significativas para a criança;
2) Formação de leitores
Para quem deseja que o filho aprenda a ler e escrever em português, a formação de leitores, a partir da leitura de livros e histórias infantis mediadas (contadas) por um adulto, são um excelente ponto de partida.
O hábito da leitura permite que o pai ou mãe aproveite o que a criança aprenderá na escola para transferir esses conhecimentos e complementá-los ao do português.
Nesta aula, será apresentado um breve passo a passo de que etapas seguir.
E, se você gostou do curso e quer se aprofundar nestes temas, pode solicitar acompanhamento personalizado para sua família ou iniciativa:
WhatsApp: +34 678 823 524
e-mail: linguamater.org@gmail.com
Site: linguamater.org
Orientações sobre português como língua de herança de acordo com as necessidades e demandas da família
Elaboração do mapeamento linguístico e apoio no planejamento linguístico familiar
Estratégias para ampliar a exposição e aprendizado de seu filho ao português
Como trabalhar a formação de leitores (e desenvolvimento da leitura e escrita): capacitação para pais e mães
Trabalho individualizado de formação do leitor em português – dirigido às crianças
Aulas de português como língua de herança
Formação/Supervisão de educadores de português como língua de herança
Orientação para a formação de novas iniciativas de português como língua de herança
MUITO OBRIGADA!
Andreia Moroni
Este curso está pensado para os pais ou mães que moram fora do Brasil e desejam que seu filho ou filha saiba português.
Antes de aplicar dicas práticas de como fazer seu filho falar mais português, é preciso saber onde você deseja chegar nessa aventura de transmitir sua língua e educar uma criança bilíngue – e aqui você encontra uma bússola.
"Português em casa: sua bússola do bilinguismo" está pensado para que os pais e mães entendam melhor, a partir de videoaulas, leituras e exercícios, como é o processo da criança de aprender português como língua de herança e possam traçar expectativas realistas.
Você vai:
Conhecer melhor as especificidades de quem aprende português em contato com outra língua;
Aprofundar o que entende por "bilinguismo";
Entender o impacto das relações afetivas no aprendizado de uma língua;
Refletir sobre os próprios usos e conhecimentos de cada língua que sabe para entender melhor os processos vividos por seu filho ou filha;
Avaliar as habilidades de seu filho em português hoje e definir como deseja que elas se desenvolvam.
Ao final do curso, você terá muito mais clareza sobre o que é importante para sua família ao longo do processo de ensinar português em casa e conhecerá melhor suas próprias expectativas.
Com isso, o processo de transmitir o português como língua de herança será mais prazeroso e satisfatório para todas as partes envolvidas.