
Introdução
O trabalho de musicalização que realizaremos aqui, foi inspirado a partir das propostas pedagógicos de um projeto de contação e sonorização de histórias. As atividades foram aplicadas simultaneamente em 41 turmas de quatro escolas de Educação Básica (berçário, educação infantil e primeiro dos anos iniciais), na cidade do Natal/RN, entre os meses de março a maio de 2018.
Nesse projeto, objetivamos promover um ambiente que favoreça o desenvolvimento integral da criança, a partir de uma ação interdisciplinar. Um laboratório de atividades musicais favoráveis às múltiplas aprendizagens, porque, para nós, musicalizar é viver um processo de ressignificação criativa constante, dentro de um estado de aprendizagens permanentes.
Para tal, foram preparadas oficinas de confecções de instrumentos, composições e arranjos musicais, atividade de criação coletiva de expressões corporais, prática de conjunto, canto coletivo, escuta passiva e ativa, recitais internos, atividades de interação, socialização, declamação de poema, entre outros.
Nesse contexto, nos fundamentamos em Schafer (1991), quando afirma que não devemos fragmentar as experiências sonoras e musicais dos nossos alunos com a finalidade de desenvolvermos uma apreciação ou aprendizagem disciplinar específica.
Entendemos que não podemos pedir a uma criança que imite o som de um pássaro e em seguida desprezar ou ignorar toda a beleza e exuberância dos movimentos gestuais (alçar vôo, do abrir e bater as asas de um belo pássaro) que ela nos apresenta durante sua imitação, só para subtrairmos o som que pedimos.
Com base nesse entendimento, as atividades apresentadas aqui foram inspiradas, em sua maioria, nas propostas pedagógicas musicais para o ensino e aprendizagem de música (Métodos Ativos em Música), em confluência com a psicologia da educação e com nossas práticas diárias.
INTRODUÇÃO
O Projeto (Pedro e a Festa na Lagoa)
Sabemos que há várias maneiras de se musicalizar uma criança, a partir das inúmeras orientações, propostas pedagógicas para o ensino de música e métodos de educação musical, que contemplam estratégias de ensino-aprendizagem de música, onde a criança pode interagir ativamente com seu fazer musical da forma que lhe for mais conveniente (organizando, combinando, estruturando, criando e executando).
Por isso, para montar essa proposta levei em consideração não só as propostas dos Métodos Ativos em Educação Musical, como também, algumas orientações de Práticas Pedagógicas da Educação Infantil, estabelecidas nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI).
Em algumas propostas de organização dos conteúdos para o trabalho na área de Música nas instituições de educação infantil do Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI), e nos objetivos de aprendizagem e desenvolvimento da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
RESUMO:
O presente trabalho é um relato de experiência vivida em um berçário de uma escola de ensino infantil
e fundamental I, na cidade de Parnamirim/RN. Ele relata as práticas e vivências pedagógicas da
Educação Musical realizada com um grupo de nove crianças com idade compreendida entre 10 e 23
meses. As práticas foram mensuradas através dos desenvolvimentos das crianças quanto a sua
atividade de vida diária compreendida na sua rotina escolar. Os resultados obtidos com esse relato
foram significativos no que diz respeito ao ganho de atenção, memorização, desenvolvimento motores
e cognitivos das crianças.
Resumo: O presente trabalho tem como objetivo apresentar resultados obtidos em uma pesquisa de intervenção, com ênfase em vivências pedagógicas de musicalização baseada no processo de imitação gestual, rítmica e sonora, fundamentada na teoria de Jean Piaget. As intervenções foram realizadas com um grupo de 12 crianças (08 meninos e 04 meninas), com idade entre 11 e 18 meses, no Berçário, denominado Pequeno Prince, localizado na cidade do Natal/RN, entre os meses de março a maio de 2017. Os dados foram coletados através de 04 observações (participante e não participante) e 07 intervenções (aulas de música). Para fundamentar esse trabalho, foram pesquisados autores da Educação Musical e áreas afins como: Jaques Dalcroze, Edgar Willems, Murray Schafer. Zoltán Kodály, Esther Beyer, Beatriz Ilari, Josette Feres, Teca Alencar, Violeta Gainza, Keith Swanwick, Jean Piaget, Lev Vygotsky, Henri Wallon. Os resultados obtidos com essa pesquisa apresentam contribuições significantes para o ensino de música na Educação Infantil no que diz respeito ao ganho de atenção, concentração, memorização, oralidade, interação, socialização, entre outros, das crianças participantes.
Resumo: O presente trabalho apresenta o resultado de uma pesquisa que mapeou o ensino de Arte/Música em 71 escolas municipais de Natal/RN, considerando a implantação da Lei 11.769/2008. Objetivou conhecer a realidade das escolas que recebe o profissional que ministra Música, identificando o perfil desse profissional, bem como o número de escolas que possuem professores licenciados em música contratados para atender à demanda.
Breve revisão de três documentos importantíssimo para organização da educação brasileira.
Por que música e contação de história?
Alguém já contou alguma história para você? Após terminar uma história você já ouviu pedidos de “Conta de novo...?! Quero mais!” Se sim, você lembra qual foi? Podem ser aquelas que os nossos pais ou irmãos mais velhos nos contavam na hora em que íamos dormir! Ou, a que nossos tios e avós nos contavam nas reuniões de família. Ainda têm as histórias que os professores nos contavam na educação básica, os grandes clássicos da literatura infantil, fábulas e lendas cheias de suspense e magias. E agora, lembrou? Pois bem!
Em nosso período escolar, aprendemos nas aulas de História que durante muito tempo o homem compartilhou, contou, recontou, passou e repassou de geração em geração as suas histórias, aventuras de glórias, vitórias e derrotas, de forma oral. No entanto, com o passar do tempo, nós descobrimos outras formas de contar e registrar nossas histórias.
Vimos que, na pré-história, o homem contava suas histórias ao redor de fogueiras e fazia seus registros nas paredes das cavernas, madeiras entalhadas e outras. Na Antiguidade, as histórias eram contadas nas grandes bibliotecas, praças e parques e eram registradas nos papiros, tecidos e outros.
A partir da Idade Moderna, com a revolução da cultura tipográfica, a forma de contar e registrar histórias mudou significativamente. Mesmo com tanta evolução, as histórias não perderam seus encantos e nem a suas magias, e continuam vivas e presentes em nosso cotidiano, seja nos livros, ebooks, gibis e animes, filmes e, principalmente, nas salas de aula da educação infantil.
Sabemos que as rodas de histórias continuam vivas e presentes na educação. Elas são atividades permanentes e constantes na rotina das instituições de educação infantil, pois:
A leitura de histórias é um momento em que a criança pode conhecer a forma de viver, pensar, agir e o universo de valores, costumes e comportamentos de outras culturas situadas em outros tempos e lugares que não o seu. A partir daí ela pode estabelecer relações com a sua forma de pensar e o modo de ser do grupo social ao qual pertence (BRASIL, 1998, p. 143).
Durante a contação de histórias, as crianças prestam atenção aos mínimos detalhes do que está sendo contado, participam imitando sons, gestos, atentas para a solução de problemas, participam ativamente ajudando a construir a narrativa, opinando e dando direcionamentos aos personagens. E ainda, “por meio da história, as crianças também vivenciam a necessidade de organizar os materiais sonoros, aproximando-se do conceito de forma musical” (BRITO, 2003, p. 167).
Segundo o Referencial Curricular Nacional para a educação Infantil, vol. 3, (RCNEI), quando falamos com um bebê, estamos expondo-o à linguagem oral e toda a sua complexidade, e ainda estamos ajudando a criança na ampliação de sua comunicação oral, na fluência para falar, perguntar, e estamos ajudando na ampliação de seu vocabulário.
Contar uma história para a criança irá estimulá-la na aprendizagem da linguagem escrita, ajudar ampliar gradativamente suas possibilidades de comunicação e expressão, desperta o sentimento de curiosidade por livros, revistas, gibis e outros, e desenvolve sua narrativa.
Sabemos que o ouvido é um receptor especializado em detectar e interpretar diversos estímulos sonoros, sejam eles acústicos internos ou externos. Sendo assim, antes de começarmos o projeto “Pedro e a Viagem na Fazenda”, será necessário desenvolver atividades que chamem a atenção das crianças para os sons que são produzidos em nosso dia a dia (natural, artificial, agradáveis ou desagradáveis, alto, baixo, grave, agudo, forte, fraco, longo, curto) e quais os efeitos que eles nos provocam. Então vamos lá! Fechem bem olhos e abram bastante os ouvidos.
Música na infância
Corroboramos com Gainza (1988), de que “O objetivo da educação musical, é musicalizar” (GAINZA, 1998, p. 101), e ainda, desperta o interesse e desenvolve o gosto pela música, construir, ampliar e favorecer o conhecimento musical, e ainda, tornar a criança sensível e receptiva aos sons, entre outras coisas.
Sabemos que é na infância que os seres humanos estão mais receptíveis às diversas aprendizagens, pois seu cérebro ainda está em formação. É nessa fase onde ocorre grande parte do seu desenvolvimento neurológico e motor. “Durante a infância, o cérebro humano é mais maleável e os efeitos da aprendizagem são maiores que em qualquer outra fase da vida" (ILARI 2005 apud FLOHR, MILLER e DEEBUS, 2000).
Com isso, acreditamos que os estímulos musicais através da musicalização, já na educação infantil, podem ajudar a criança a desenvolver diversas habilidades musicais e não musicais como: o conhecimento e a percepção das características básicas do som, estimula a aquisição da escrita, linguagem verbal e não verbal, raciocínio logico e memória. E ainda, a coordenação motora fina e grossa, consciência corporal, moral, ética, o respeito, a cultura, a organização, interação, socialização, “integração entre os aspectos sensíveis, afetivos, estéticos e cognitivos, assim como a promoção de interação e comunicação social” (BRASIL, 1998, p. 49), entre outros grandes estímulos que culminarão na contribuição para o seu desenvolvimento integral.
Instrumentos Musicais na Pré-história
Sabe-se que o homem primitivo teve desde muito cedo a necessidade de se comunicar. Sem saber utilizar a voz, durante muito tempo ele apenas ouvia os sons da natureza. Aos poucos ele conseguiu controlar a emissão de sons e começou a falar, criando assim uma linguagem que lhe permitiu comunicar-se com seus semelhantes. A ordenação dos sons com intenção comunicativa e expressiva deu origem à música.
Professor(a), antes de realizar essa atividade assista o vídeo Uma pequena história dos instrumentos musicais.
Professor(a), sabemos que existem várias maneiras de se construir um instrumento musical, sendo assim, permita que as crianças confeccionem instrumentos musicais já existentes, como também, inventem novos instrumentos.
Professor(a), para melhor desempenho dessa vivência e importante que as crianças tenham realizado a atividade O som do corpo.
Professor(a), para realizar uma prática de conjunto e sair “do faz de conta” aplique essa atividade utilizando os gestos modelo e as células rítmicas criados na atividade anterior. Transfira os gestos e as células rítmicas para os instrumentos musicais confeccionados na oficina. Em seguida, faça a releitura de alguma música (cantigas de roda).
Autores como Silva (2017), trazem em seus trabalhos que, a música é uma linguagem universal que ajuda na construção de valores de convivência entre cidadãos como: o respeito, o diálogo, a cultura, a organização, a disciplina, “integração entre os aspectos sensíveis, afetivos, estéticos e cognitivos, assim como a promoção de interação e comunicação social” (BRASIL, 1998, p. 49).
E ainda que, através do contato com a linguagem musical, o ser humano tem a oportunidade de desenvolver de forma particular o seu processo de construção e elaboração do conhecimento de mundo. O autor cita Queiroz (2004), ao afirma que [...] “a música na e como cultura representa uma forte e complexa fonte de significados, sendo parte intrínseca da experiência de cada sujeito, atuando como um dos fatores essenciais para a expressão do homem em suas interações sociais”. (QUEIROZ, 2004, p. 105 – 106).
Sendo assim, em virtude dos fatos mencionados, podemos concluir que a música é um dos estímulos mais potentes na formação integral do ser humano, e que, quanto mais cedo a criança entrar em contato com o mundo da música, maior será o conhecimento construído na memória sonora devido à assimilação de vários códigos musicais presentes no cotidiano do discente.
É fato que quando submetemos a criança a atividades onde ela possa reconhecer suas emoções, nós estamos ajudando-a a entender como solucionar seus conflitos com mais facilidade e menos sofrimento. De acordo com a BNCC já na Educação Infantil devemos trabalhar as competências da educação socioemocional.
Pois é na infância que o ser humano começa a organizar e representar suas emoções e sentimentos. Sendo assim, para trabalhar esse tema de suma importância, utilizaremos a parte da história onde Pedro demonstra vários sentimentos como: ansiedade, carinho, felicidade, curiosidade e outros.
Segundo a educadora Cecília Cavalieri, o Meio ambiente é um tema transversais de suma importância na educação e, portanto, conteúdo obrigatório também da educação musical. Para ela, esses dois campos do conhecimento convergem em diversos pontos, que podem ser percebidos em três eixos: o pragmático (paisagem sonora), ético-estético (por meio de atividades de apreciação musical, construção de instrumentos, sonorização e criação), e da discussão sobre temas como ecologia sonora, acústica, tecnologia e saúde pode-se promover a valorização dos produtos aturais e culturais assim como o senso de pertencimento e a educação da sensibilidade visando o desenvolvimento ético e estético.
Professor(a), agora iremos dar ênfases em vivências que trabalham a percepção e execução das características geradas pelo som como: altura, duração, timbre, intensidade, melodia, ritmo, como também, na apropriação de conceitos básicos da Estilística do Som (aliteração, assonância, onomatopeia, e rima).
Essa atividade ficará como sugestão para apresentar na nossa Amostra Cultural. Nela, deixarei duas opções de leitura musical, uma com partitura tradicional e a outra com partitura alternativa. No entanto, você tem a opção de tocar intuitivamente, de forma prática através do treino e da reprodução (repetindo o que reproduzido no vídeo).
Vou deixar aqui algumas propostas de arranjos para o seu recital. No entanto, fique a vontade para criar outras possibilidades.
Proposta 01- Arranjo e releitura O Trem” (Bia Bedran);
Proposta 02 - Sonorizando e declamando o soneto A primavera (Antônio Vivaldi);
Proposta 03- O Ribeirão Secou (Cantigas populares);
Proposta 04- Sapo Cururu (antigas Populares);
Proposta 05- A Primavera (Antônio Vivaldi).
Olá! Tudo bem? Vou falar um pouco para você do Curso de Estratégias para o Ensino de Música na Educação Infantil.
As atividades que serão desenvolvidas aqui, foram produzidas coletivamente a partir de um projeto de musicalização que envolveu mais de 1.200 crianças e comunidade escolar de quatro escolas da educação básica da cidade do Natal em 2018. Nesse curso você irá encontrar diversas atividades de vivências e práticas musicais que se relacionam diretamente com os eixos norteadores da Educação Infantil. As mais de 50 atividades contidas aqui, irão com o passo a passo, plano de aula e a ficha avaliativa.
Para montar essa projeto foi levedo em consideração não só as propostas dos Métodos Ativos em Educação Musical, como também, os documento que regem a Educação Infantil no Brasil como: Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI), Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI), e da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Ao final desse projeto você terá subsídios suficientes para montar uma amostra cultural em sua escola, podendo ser desenvolvido como um projeto individual (com uma turma) ou interdisciplinar (com toda escola).