
Programa do curso - 10h/a
Módulo 1 – O contexto Epistemológico do surgimento da Fenomenologia (4 h/a)
O que é Epistemologia
O contexto epistemológico do surgimento da fenomenologia
Wilhelm Dilthey e a distinção entre a psicologia explicativa e a psicologia descritiva
Módulo 2 - As contribuições da Fenomenologia de Edmund Husserl para a clínica fenomenológica (2 h/a)
Husserl: uma aproximação teórica e biográfica
A Fenomenologia como convite para "voltar às coisas mesmas"
A atitude natural e o cotidiano como familiaridade
A atitude fenomenológica e o esforço intelectual anti-natural
A intencionalidade da consciência
A epoché fenomenológica e o projeto de uma ciência rigorosa
A redução fenomenológica: em busca do sentido essencial (eidos)
A crise da ciência e da humanidade europeia
Lebenswelt: intencionalidade, historicidade e mundo vivido
Módulo 3 - A hermenêutica existencial de Martin Heidegger (2 h/a)
O que é Hermenêutica
Martin Heidegger: uma aproximação teórica e biográfica
Ser e Tempo e o giro ontológico e hermenêutico na Fenomenologia
A essência do Dasein reside em sua existência
A intencionalidade como ser-no-mundo
Ser-no-mundo e o impessoal
Ser-no-mundo e o próprio
O ser-para-a-morte e a angústia existencial
A existência como cuidado de si
Diferenças entre a Fenomenologia de Husserl e a de Heidegger
Módulo 4 - O trágico do existir em Nietzsche (2 h/a)
A vida como vontade de potência
A transvaloração dos valores.
Implicações para a clínica existencial
Prof. Dr. Felipe Saraiva Nunes de Pinho. Psicólogo (UFC), com Formação em Psicodrama, Especialização em TCC (PUCR), Mestrado em Linguística (UFC) e Doutorado em Filosofia pela Universidad de Barcelona. Mais de 15 anos de experiência como professor universitário em cursos de Graduação e Pós-graduação em Psicologia.
APRENDER FENOMENOLOGIA É DIFÍCIL OU ISSO É UM MITO?
A COMPREENSÃO DO CARÁTER HISTÓRICO E TRÁGICO DA EXISTÊNCIA HUMANA
1. A estrutura existencial fundamental
SER-NO-MUNDO
2. Ser-humano
Ser-natural x ser-histórico
3. A tradição mecanicista, materialista, objetivista e positivista
O termo "objetivismo" refere-se à crença na existência de uma realidade objetiva e independente da mente humana, bem como na capacidade de alcançar um conhecimento objetivo sobre essa realidade por meio de métodos racionais e científicos.
abordagem científica e empírica para compreender o mundo
visão materialista e empiricamente verificável da realidade
buscam explicar os fenômenos através de causas naturais e observáveis, em oposição a entidades metafísicas ou conceitos abstratos
visão determinista da realidade, enfatizando a ideia de que os eventos são causados por leis naturais e que, em princípio, são previsíveis e explicáveis pela ciência.
Os positivistas acreditam na existência de leis e regularidades que governam o comportamento humano.
4. A noção médica-psiquiátrica da “doença mental”
O Modelo Biomédico
Enfatiza a compreensão e o tratamento das doenças a partir de uma perspectiva biológica, com foco nos aspectos físicos e fisiológicos do corpo humano.
Ele se baseia na premissa de que as doenças têm causas físicas e que devem ser tratadas principalmente por meio de intervenções médicas, como medicamentos, cirurgias e outros procedimentos médicos.
O modelo biomédico influenciou significativamente a psiquiatria ao longo do tempo, levando ao desenvolvimento de uma abordagem mais biológica para entender e tratar os transtornos mentais. Isso inclui o estudo dos fundamentos neurobiológicos das condições psiquiátricas, como desequilíbrios químicos no cérebro, disfunções genéticas e anormalidades estruturais no sistema nervoso central.
Ênfase nos Tratamentos Farmacológicos
visão excessivamente reducionista dos transtornos mentais, negligenciando fatores psicossociais e ambientais que desempenham um papel importante no desenvolvimento e tratamento dessas condições
A noção médica-psiquiátrica da “doença mental”
•"Este conceito passou a ser o pilar de sustentação do edifício psiquiátrico, com suas perspectivas teórico-epistemológicas predominantes: os chamados “transtornos mentais” são concebidos como tendo determinação organicista, de base hereditária, tomados numa perspectiva individual". (SCHNEIDER, 2009)
•"Não se postula a sua relação de determinação com as relações sociais, apesar de considerá-las como possíveis ativadores da predisposição mórbida, que existe de forma latente no sujeito". (SCHNEIDER, 2009)
• A psiquiatria "voltando-se para o cérebro como órgão sede do psiquismo, desconsiderou totalmente a especificidade das variáveis psicossociais constituintes dos quadros psicopatológicos". (SCHNEIDER, 2009)
•Tratamentos fisiológicos e psicofarmacológicos.
5. A superação da objetivação do ser-humano: constribuições da Fenomenologia
“Era crucial compreender que o sofrimento psíquico ocorria a partir do existir humano, ou seja, como resultado de um processo de construção de uma personalidade no meio do mundo e em meio às relações com os outros, em oposição à noção de “doença mental” – sustentada em perspectiva individualizante, mecanicista e de base neurofisiológica – que não só inviabilizava a compreensão do fenômeno “adoecimento psíquico” na sua totalidade, como também impedia o próprio sujeito de emancipar-se do peso de seu “rótulo”, já que ele era entendido como oriundo de problemas internos (psicológicos e/ou cerebrais)”. (SCHNEIDER, 2009)
Crítica ao objetivismo
A filosofia precisa fundamentar seus conhecimentos e verdades na descrição da realidade que nos cerca, conforme percebida pela mente humana consciente.
Os diferentes aspectos do mundo natural e humano, conforme são percebidos pela consciência, são definidos como fenômenos.
A subjetividade e a objetividade são interdependentes e não podem ser consideradas separadamente, formando dois polos complementares na compreensão da realidade.
A atitude fenomenológica
A saída da nossa atitude de imersão na familiaridade ingênua cotidiana proporciona um olhar e uma escuta diferenciada da escuta comum, um retorno a uma atitude de admiração e "espanto" com o outro.
A problematização dos fundamentos epistemológicos da Psicologia, buscando compreender a diferença ontológica entre os fenômenos naturais e a experiência psicológica.
O modelo de intervenção psicoterapêutico não-diretivo, que busca promover uma relação humana e um espaço que incentiva a reflexão e a experienciação do protagonismo em relação à própria existência, que compreendemos como sendo a atitude de cuidado de si.
A visão de ser humano como ser-no-mundo, como um indivíduo que tem a experiência de si e do mundo a partir do seu mundo, do seu horizonte histórico. A compreensão do caráter histórico da existência é o que compreendemos como sendo a hermenêutica existencial.
A visão Existencial
Dois aspectos são fudamentais para a compreensão do homem como existente:
o caráter histórico da existência
a existência como projeto de ser
• Na visão de Heidegger, compreender plenamente o ser humano requer uma análise cuidadosa de sua existência no contexto do tempo ou da temporalidade em que está imerso, pois é esse tempo que serve como base fundamental para sua forma de existir.
• “A condição essencial para alguém ser “sujeito do seu ser” é ser titular de um projeto. O projeto de ser de um sujeito, como vimos, se constrói a partir de sua ação no mundo, mediada pelos outros, ou seja, ele precisa estar tecido em uma trama de relações histórico- sociais.A psicopatologia é, nesta perspectiva, a inviabilização do projeto de ser do sujeito, na medida em que este, por ocorrências de sua vida de relações, ficou impedido de alcançar o futuro que deseja” (SCHNEIDER, 2009, p. 73).
A compreensão existencial e a psicoterapia
É essencial que o cuidado psicoterapêutico seja acompanhado por uma postura existencial que suspenda as identificações comuns do dia a dia e os conhecimentos científicos, permitindo que tudo o que surge, com base em suas próprias potencialidades, seja reconhecido e aceito. (SANTOS; SÁ, 2013)
Referências
SANTOS, Danielle de Gois; SA, Roberto Novaes de. A existência como "cuidado": elaborações fenomenológicas sobre a psicoterapia na contemporaneidade. Rev. abordagem gestalt., Goiânia , v. 19, n. 1, p. 53-59, jul. 2013 .
SCHNEIDER, Daniela Ribeiro. Caminhos históricos e epistemológicos da psicologia: contribuições da fenomenologia e existencialismo. Cadernos Brasileiros de Saúde Mental/Brazilian Journal of Mental Health, [S. l.], v. 1, n. 2, p. 57–72, 2011.
VÍDEOAULA WILHELM DILTHEY E A DISTINÇÃO ENTRE A PSICOLOGIA EXPLICATIVA E A PSICOLOGIA DESCRITIVA
Este curso, de introdução à psicoterapia existencial, tem como objetivo principal apresentar os princípios filosóficos que fundamentam as abordagens psicológicas conhecidas como fenomenológico-existenciais.
Compreendemos por abordagens fenomenológico-existenciais, na Psicologia, aquelas abordagens que se fundamentam em premissas filosóficas e metodológicas da Fenomenologia, da Hermenêutica Existencial e das Filosofias Existenciais.
Estudaremos nesse curso as premissas filosóficas da Hermenêutica de Dilthey, da Fenomenologia de Edmund Husserl, da Hermenêutica Existencial de Martin Heidegger, assim como da Filosofia existencial de Nietzsche.
O curso é composto por 5 aulas gravadas, de 1h30 cada, mais material de leitura em PDF. Ele é ministrado pelo Prof. Dr. Felipe Saraiva Nunes de Pinho. Psicólogo (UFC), com Formação em Psicodrama, Mestrado em Linguística (UFC) e Doutorado em Filosofia (Universidad de Barcelona).
Programa do Curso
1. Introdução aos fundamentos da clínica existencial. Compreensão do caráter histórico e trágico da existência humana.
2. Wilhelm Dilthey e o nexo vital do existir humano. Discussão da obra Ideias Sobre Uma Psicologia Descritiva e Analítica.
3. A fenomenologia de Edmund Husserl. Compreensão da importância da atitude fenomenológica na clínica existencial.
4. A hermenêutica existencial de Martin Heidegger. Discussão da obra Ser e Tempo.
5. O trágico do existir em Nietzsche. Compreensão da vida como vontade de potência.