
A conduta espírita e a qualidade na prática mediúnica são temas centrais dentro da Doutrina Espírita, que tem como base os ensinamentos contidos nas obras de Allan Kardec, especialmente em "O Livro dos Espíritos" e "O Livro dos Médiuns". A visão espírita sobre esses aspectos é profundamente ética e moral, buscando sempre o aprimoramento espiritual e o bem-estar coletivo.
Conduta Espírita
A conduta espírita refere-se ao comportamento e às atitudes que um espírita deve adotar em sua vida cotidiana, alinhados com os princípios da Doutrina Espírita. Alguns dos principais aspectos incluem:
1. Moralidade e Ética: O espírita é incentivado a viver de acordo com os princípios morais elevados, como a caridade, a humildade, a honestidade e o amor ao próximo. A prática do bem e a busca pela melhoria moral são essenciais.
2. Estudo e Conhecimento: O estudo contínuo das obras espíritas é fundamental para o entendimento e a aplicação dos ensinamentos. O conhecimento ajuda a evitar equívocos e a fortalecer a fé raciocinada.
3. Prática da Caridade: A caridade é um dos pilares do Espiritismo. Isso inclui não apenas a ajuda material, mas também o apoio moral e espiritual aos que sofrem.
4. Respeito e Tolerância: O espírita deve respeitar as crenças e opiniões dos outros, promovendo a harmonia e a paz. A tolerância é vista como uma virtude essencial.
5. Responsabilidade: Cada indivíduo é responsável por seus atos e pelo seu próprio progresso espiritual. A conduta espírita enfatiza a responsabilidade pessoal e o compromisso com o bem.
Qualidade na Prática Mediúnica
A prática mediúnica, dentro do Espiritismo, é considerada uma faculdade que permite a comunicação entre os espíritos encarnados e desencarnados. No entanto, essa prática deve ser conduzida com seriedade, responsabilidade e ética. Alguns aspectos importantes para garantir a qualidade na prática mediúnica incluem:
1. Preparação e Estudo: O médium deve se preparar através do estudo das obras espíritas e do desenvolvimento moral. A mediunidade não é um dom, mas uma faculdade que exige dedicação e aprimoramento.
2. Humildade e Desinteresse: O médium deve evitar o orgulho e a vaidade, reconhecendo que a mediunidade é uma ferramenta para o bem e não para benefício pessoal. A prática mediúnica deve ser desinteressada e voltada para o auxílio ao próximo.
3. Ambiente Adequado: A prática mediúnica deve ocorrer em um ambiente sério e respeitoso, preferencialmente dentro de um centro espírita que siga os princípios da Doutrina. O ambiente influencia diretamente a qualidade das comunicações.
4. Conduta Moral: O médium deve manter uma conduta moral elevada, pois sua vida pessoal reflete na qualidade de sua mediunidade. A pureza de intenções e a integridade moral são essenciais.
5. Assistência Espiritual: O médium deve buscar a assistência espiritual dos bons espíritos, através da prece e da sintonia com os mentores espirituais. A proteção espiritual é fundamental para evitar influências negativas.
6. Discernimento: O médium deve desenvolver o discernimento para diferenciar as comunicações espíritas verdadeiras das falsas ou mistificadoras. O estudo e a orientação de espíritos mais elevados ajudam nesse processo.
Conclusão
A conduta espírita e a qualidade na prática mediúnica estão intrinsecamente ligadas ao progresso espiritual e ao cumprimento da lei de amor e caridade. O espírita, seja médium ou não, deve buscar constantemente o aprimoramento moral e intelectual, contribuindo para o bem-estar coletivo e para a sua própria evolução espiritual. A prática mediúnica, quando realizada com seriedade e ética, é uma poderosa ferramenta de auxílio e consolo, tanto para os encarnados quanto para os desencarnados.
Uma visão geral sobre a educação mediúnica dentro da Doutrina Espírita. Como ser médium utilizando de sua faculdade como um instrumento de caridade, utilizando das consciências iluminadas para o bem, com a conduta de apurar a sensibilidade e se envolver com boas vibrações, e auxiliar os irmãos necessitados que buscam socorro espiritual. A mediunidade, nos séculos 19 e 20, foi considerado como um grave transtorno mental e hoje muitos já entendem como uma sensibilidade e não enfermidade. Sabemos também que a mediunidade não é a causadora do distúrbio no organismo em que muitas vezes surgem como doenças e transtornos mentais, mas a ação dos fluídos que produzimos e que ora podem ser ruins ou salutares, e assim, que dependerá de nossa ação espiritual. O médium carrega em suas comunicações e percepções uma contaminação de seu ser que altera de forma geral a mensagem entregue.
E o quanto será que esta modificação prejudica o sentido moral da mensagem?
Como temos o nosso livre arbítrio, o nosso pensamento interfere completando a mensagem recebida, seja ela visão, audição, ou vinda de outra forma através de nossa constituição, que é construída com a nossa moral e envolvida da cultura e inteligência de cada um. E como disse Hermínio de Miranda, “... o pensamento ... acaba retocado com um tom mais leve ou mais carregado de seu próprio colorido pessoal. ”.
A nossa sintonia é muito importante nesta situação em que, a mensagem precisa ser entregue com qualidade o suficiente para quem recebe compreender o seu significado, e por isso precisamos criar protocolos de entrega que são os nossos esforços em nos conhecer melhor, utilizarmos de recursos, ferramentas, que nos servirão como um filtro para purificar a mensagem. Mas cuidados são necessários para compor esses recursos, devemos buscar o controle de nossas paixões, adquirir conhecimentos úteis, melhorar nosso comportamento em geral e a elevação moral é importantíssima. Devemos levar em conta que o componente anímico sempre existirá, o que então precisamos é de controle adequando nossa mediunidade com disciplina, sem que a mensagem perca a característica do comunicante e sem permitir que você perca o controle para o comunicante, evitando abusos, mas não modificando com palavras o sentido do pensamento do comunicante.