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Curso de Eletricista Industrial/Comandos Elétricos 240h
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Curso de Eletricista Industrial/Comandos Elétricos 240h

Domine a Engenharia de Comandos Elétricos com técnicas e práticas que nenhuma escola ensina, conhecimento real de campo
Last updated 6/2026
Portuguese

What you'll learn

  • Engenharia de Comandos Elétricos.Comandos Elétricos: domine contatores, relés, botoeiras, sinalização, selagem, intertravamentos e circuitos de comandos
  • Leitura e Interpretação: compreenda diagramas elétricos de força e comando utilizados em máquinas, painéis e processos industriais.
  • Formação Profissional: conteúdo voltado para manutenção, automação, eletrotécnica e engenharia industrial com foco em motores elétricos e acionamentos
  • Partida de Motores: aprenda partidas direta, reversora, estrela-triângulo, compensadora e técnicas de acionamento seguro.
  • Proteção Elétrica: dimensione disjuntores, fusíveis, relés térmicos e dispositivos de proteção para motores e circuitos.
  • Dimensionamento de Motores: selecione corretamente motores conforme carga, torque, potência e condições operacionais.
  • Análise de Falhas: diagnostique defeitos em motores, painéis, CCMs e sistemas de comando com metodologia profissional.
  • Instrumentação Aplicada: utilize multímetros, alicates amperímetros e megômetros para testes e diagnósticos precisos.
  • Eficiência Energética: reduza desperdícios de energia e aumente o desempenho de sistemas elétricos industriais.
  • Fator de Potência: dimensione bancos de capacitores e elimine multas por energia reativa nas instalações.
  • Qualidade da Energia: identifique desequilíbrios, quedas de tensão, harmônicas e impactos sobre equipamentos.
  • Segurança em Eletricidade: capacitação completa em NR-10 com foco em prevenção de acidentes e trabalho seguro.
  • SEP e Alta Energia: procedimentos para atuação em Sistemas Elétricos de Potência conforme requisitos legais.
  • Bloqueio e Etiquetagem (LOTO): execute bloqueios seguros para intervenções em máquinas e instalações elétricas.
  • Projetos Elétricos: desenvolva diagramas de força e comando conforme normas técnicas e boas práticas industriais.
  • CADe SIMU Profissional: crie e simule circuitos elétricos para validação de projetos e aprendizado prático
  • Soft-Starters: configure partidas suaves para reduzir esforços mecânicos e correntes de partida elevadas.
  • Inversores de Frequência: programe, parametrize e controle velocidade, torque e desempenho de motores elétricos.
  • Comandos Industriais Avançados: implemente lógicas complexas de automação com aplicações reais de campo.
  • Estudos de Caso Reais: resolva problemas encontrados em indústrias, mineradoras, terminais e plantas produtivas.
  • Certificação Premium: preparação prática para atuar com segurança, eficiência e alto desempenho no mercado industrial.
  • Aprenda o que os cursos convencionais não mostram: técnicas, macetes e boas práticas adquiridas ao longo de anos no chão de fábrica.
  • Desenvolva a visão crítica de um eletri como a teoria elétrica é aplicada na indústria real, transformando conceitos técnicos em soluções práticas e eficientes.
  • Conheça erros comuns de instalação, operação e manutenção que geram paradas, perdas financeiras e riscos à segurança.
  • Aprenda a interpretar situações reais de campo e tomar decisões técnicas seguras, rápidas e fundamentadas.
  • Aprenda a identificar falhas ocultas em motores, comandos elétricos e sistemas de automação antes que se tornem problemas graves.
  • Desenvolva competências valorizadas pelas empresas, combinando conhecimento técnico, segurança e produtividade.
  • Seja treinado por um profissional que conecta teoria, normas técnicas, segurança e a realidade operacional das fábricas.
  • Descubra como profissionais experientes analisam diagramas, identificam defeitos e restauram processos com rapidez.
  • Transforme conhecimento em resultado, aprendendo procedimentos, padrões e boas práticas exigidos pelo mercado

Course content

16 sections63 lectures17h 28m total length
  • Dispositivos p/ Manobra e Proteção (Fusíveis e Relés de Proteção)31:06

    Material didático de apoio :

    ​1. Noções Fundamentais de Funcionamento de Componentes

    ​Os sistemas de comandos elétricos são projetados para controlar o funcionamento de máquinas elétricas de forma segura e eficiente. Eles são divididos estruturalmente em duas partes: o circuito de força (ou carga), por onde circula a corrente que alimenta o motor, e o circuito de comando, que executa a lógica de funcionamento e opera com correntes menores para garantir a segurança do operador.

    ​Os principais componentes utilizados nesses circuitos são:

    ​Contatores: São chaves eletromecânicas operadas eletromagneticamente. Quando a bobina interna do contator recebe corrente elétrica, ela cria um campo magnético que atrai um núcleo móvel, fechando os contatos principais (que alimentam o motor) e alterando o estado dos contatos auxiliares (que fazem a lógica do comando).

    ​Disjuntor-Motor: Dispositivo projetado para a proteção termomagnética dos motores. Ele protege o circuito contra curtos-circuitos (atuação magnética rápida) e contra sobrecargas prolongadas (atuação térmica lenta), possuindo um botão de ajuste para a corrente exata do motor.

    ​Relé Térmico de Sobrecarga: Atua protegendo o motor contra aquecimentos excessivos provocados por sobrecarga mecânica ou falta de fase. Ele funciona por meio de lâminas bimetálicas que se deformam com o calor gerado pelo excesso de corrente, abrindo o circuito de comando e desligando a máquina.

    ​Fusíveis: Dispositivos de proteção de ação rápida que se fundem (queimam) quando ocorre uma corrente de curto-circuito, interrompendo imediatamente o fluxo elétrico para proteger os cabos e componentes.

    ​Botoeiras e Sinalizadores: As botoeiras são os botões de comando. Botões Normalmente Fechados (NF) são vermelhos e servem para parar o sistema. Botões Normalmente Abertos (NA) são verdes ou pretos e servem para iniciar o sistema. Os sinalizadores são lâmpadas ou LEDs que indicam visualmente o status do sistema (ligado, desligado ou em falha).

    ​2. Simbologia Oficial e Interpretação de Diagramas

    ​A interpretação correta de diagramas elétricos depende do conhecimento da simbologia normalizada (padrões IEC e NBR). Cada componente e contato possui uma identificação por letras e números.

    ​Identificação por Letras (Tags):

    ​A letra K é utilizada para identificar contatores de potência (Exemplo: K1, K2).

    ​A letra F é utilizada para dispositivos de proteção, como fusíveis e relés térmicos (Exemplo: F1, F2).

    ​A letra S identifica dispositivos de comando manual, como botões e chaves seletoras (Exemplo: S0, S1).

    ​A letra H é usada para elementos de sinalização visual ou sonora (Exemplo: H1, H2).

    ​A letra M identifica os motores elétricos (Exemplo: M1).

    ​Identificação por Números:

    ​Os contatos principais do circuito de força são sempre identificados por números simples: 1, 3 e 5 para a entrada de energia (linha); 2, 4 e 6 para a saída de energia (terminal do motor).

    ​Os contatos auxiliares do circuito de comando utilizam dois dígitos. O primeiro dígito indica a sequência ou posição do contato no bloco. O segundo dígito indica a função do contato:

    ​Finais 1 e 2 indicam um contato Normalmente Fechado (NF). Por exemplo, 11 e 12, ou 21 e 22.

    ​Finais 3 e 4 indicam um contato Normalmente Aberto (NA). Por exemplo, 13 e 14, ou 23 e 24.

    ​Nos relés térmicos de sobrecarga, os contatos de proteção usam os finais específicos 95 e 96 para o contato NF, e 97 e 98 para o contato NA.

    ​3. Teoria Básica para Dimensionamento

    ​O dimensionamento correto assegura que a instalação elétrica opere dentro dos limites seguros de temperatura, evitando incêndios e quebras prematuras de equipamentos.

    ​Dimensionamento de Condutores (Fios e Cabos)

    ​Os condutores elétricos devem ser dimensionados com base na Corrente Nominal (In) do motor, que é encontrada na placa de identificação. Deve-se considerar também o Fator de Serviço (FS), que indica a capacidade de sobrecarga contínua que o motor suporta. A capacidade de condução de corrente do cabo deve ser maior ou igual à multiplicação da Corrente Nominal pelo Fator de Serviço. Além disso, a seção do cabo deve limitar a queda de tensão no circuito a um valor máximo de 4%.

    ​Dimensionamento de Dispositivos de Manobra

    ​Os contatores são dimensionados de acordo com a sua Categoria de Emprego. Para motores de indução de Corrente Alternada (CA) comuns com rotor em gaiola, a categoria padrão é a AC-3. O contator escolhido deve ter uma capacidade de corrente em regime AC-3 igual ou superior à Corrente Nominal do motor controlado.

    ​Dimensionamento de Dispositivos de Proteção

    ​O relé térmico ou o disjuntor-motor deve ser ajustado para corresponder exatamente à Corrente Nominal de trabalho do motor. Em motores com Fator de Serviço igual a 1.0, o ajuste é igual à corrente nominal. Em motores com Fator de Serviço maior (como 1.15), o ajuste pode considerar essa margem de segurança para evitar desligamentos indesejados em regime de operação permitido pelo fabricante.

    ​4. Análise de Falhas em Motores CA

    ​A análise de falhas em motores de Corrente Alternada exige a correlação entre os sintomas mecânicos, elétricos e as reações do circuito de comando.

    ​Falha 1: Sobrecarga Mecânica

    ​Como ocorre: O motor é submetido a um esforço maior do que sua capacidade nominal, como o travamento de uma esteira transportadora ou desgaste nos rolamentos do próprio motor.

    ​Sintoma e Efeito: A corrente elétrica sobe acima do limite permitido, gerando calor excessivo nas bobinas.

    ​Atuação do circuito: O relé térmico atua após alguns minutos de sobrecarga, abrindo o contato 95-96, o que desenergiza a bobina do contator e desliga o motor antes que o isolamento dos fios seja destruído.

    ​Falha 2: Falta de Fase

    ​Como ocorre: Uma das três fases de alimentação é interrompida. Isso pode acontecer devido à queima de apenas um fusível de força, mau contato nos terminais do contator ou rompimento de um cabo na rede.

    ​Sintoma e Efeito: Se o motor estiver parado, ele não conseguirá partir e emitirá um forte ruído vibratório ("ronco"). Se já estiver girando, continuará funcionando, mas as duas fases restantes absorverão toda a carga, fazendo a corrente disparar nessas fases, o que causa uma queima rápida dos enrolamentos.

    ​Atuação do circuito: O relé térmico diferencial ou um relé específico de falta de fase deve detectar o desequilíbrio e interromper o circuito de comando imediatamente.

    ​Falha 3: Curto-Circuito

    ​Como ocorre: Há um contato direto entre duas fases, ou entre uma fase e a carcaça aterrada do motor. Geralmente ocorre por degradação do verniz isolante dos enrolamentos devido a calor crônico, umidade interna ou picos de tensão na rede.

    ​Sintoma e Efeito: A corrente elétrica atinge valores extremamente altos instantaneamente.

    ​Atuação do circuito: Os fusíveis de força se fundem ou o elemento magnético do disjuntor-motor desarma de forma imediata (em milissegundos), protegendo a integridade física dos cabos da instalação.

    ​Falha 4: Queda de Tensão na Partida

    ​Como ocorre: A rede elétrica local não suporta o pico de corrente da partida do motor (que pode ser de 6 a 8 vezes a corrente nominal), ou os cabos alimentadores estão subdimensionados e apresentam alta resistência.

    ​Sintoma e Efeito: A tensão cai excessivamente no momento do acionamento. O motor não desenvolve torque suficiente para vencer a inércia da carga e permanece travado.

    ​Atuação do circuito: A bobina do contator pode sofrer oscilações ("repique") ou o disjuntor-motor desarmará por tempo excessivo de partida em alta corrente.

  • Dispositivos p/ Manobra, Proteção (Disjuntor Motor e Contatores)36:22
  • Disjuntores Termomagnéticos de Curvas B, C, D, Z e K16:18

    Os disjuntores termomagnéticos são dispositivos fundamentais de manobra e proteção mecânica, projetados para resguardar circuitos elétricos contra dois tipos de anomalias: sobrecorrentes de longa duração (atuação térmica via bimetal) e curtos-circuitos (atuação magnética instantânea via bobina). No Sistema Interligado Nacional (SIN) e nas redes de distribuição em geral, a especificação correta da curva de disparo instantâneo é crítica para garantir a seletividade e evitar desligamentos indesejados.

    A Curva B define disjuntores de atuação rápida para cargas puramente resistivas ou com baixíssima indutância. O seu disparo magnético instantâneo ocorre quando a corrente atinge entre 3 e 5 vezes a corrente nominal (In) do dispositivo. A principal aplicação técnica desta curva reside na proteção de circuitos de iluminação residencial incandescente ou LED residencial, tomadas de uso geral que alimentam eletrodomésticos simples e aquecedores elétricos diretos. [1]

    A Curva C caracteriza-se como o padrão de uso geral na grande maioria das instalações elétricas de baixa tensão. O disparo magnético deste dispositivo é ajustado para atuar entre 5 e 10 vezes a corrente nominal (In). Essa tolerância intermediária é projetada para suportar a corrente de partida de motores de pequeno porte e pequenas cargas indutivas, como geladeiras, aparelhos de ar-condicionado residenciais, lavadoras de roupa e circuitos de iluminação fluorescente com reatores. [1, 2, 3, 4]

    A Curva D possui uma alta tolerância ao disparo magnético, atuando apenas quando a corrente de curto-circuito atinge entre 10 e 20 vezes a corrente nominal (In). Essa característica técnica robusta evita que o disjuntor desarme de forma incorreta durante o pico de partida de cargas fortemente indutivas, que demandam muita energia nos primeiros milissegundos. Suas principais aplicações envolvem a proteção de grandes transformadores, motores elétricos industriais pesados e aparelhos de solda eletrônica ou industrial. [1, 2, 3, 4]

    A Curva Z opera sob uma lógica de máxima sensibilidade e proteção ultrarrápida. O seu limiar de disparo magnético instantâneo está calibrado para atuar em uma faixa extremamente baixa, tipicamente entre 2 e 3 vezes a corrente nominal (In). Essa velocidade extrema de corte serve para proteger componentes eletrônicos semicondutores altamente sensíveis, placas de circuitos integrados, fontes de alimentação de precisão e inversores de frequência que não suportam picos residuais de sobrecorrente.

    A Curva K é voltada para aplicações industriais severas e circuitos de controle específicos, apresentando um perfil de disparo magnético calibrado de forma rigorosa entre 8 e 12 vezes a corrente nominal (In). A sua curva de atuação térmica é intencionalmente projetada para ser mais sensível e estreita do que as curvas convencionais. Isso garante proteção contínua e precisa para cabos e bobinas de motores industriais complexos, evitando que o motor opere sobreaquecido por longos períodos em regimes de partidas severas ou intermitentes

  • Simbologia Oficial de Projetos de Acionamentos Elétricos37:15

    No desenvolvimento de diagramas para automação e comandos industriais, a simbologia oficial de projetos de acionamentos elétricos é padronizada internacionalmente pela norma IEC 60617 (incorporada no Brasil pela ABNT através da série NBR IEC 60617). Essa padronização divide-se estritamente entre os diagramas de força, responsáveis pela alimentação das cargas, e os diagramas de comando, que estruturam a lógica de intertravamento e controle.

    No circuito de força, os elementos de seccionamento e proteção de potência possuem representações geométricas específicas. O disjuntor motor ou disjuntor termomagnético tripolar é representado por três linhas paralelas verticais interceptadas por um traço horizontal com um pequeno quadrado na ponta para a proteção térmica e um semicírculo para a proteção magnética. Os contatos principais do contator de potência são desenhados como interrupções na linha com um arco semicircular na extremidade móvel, identificados pelos terminais numéricos unificados de entrada um, três e cinco, e saídas dois, quatro e seis. O relé térmico de sobrecarga se posiciona logo abaixo, representado graficamente por um retângulo com um corte em formato de gancho ou a letra grega teta, simbolizando o elemento bimetálico de proteção.

    No circuito de comando, a lógica de funcionamento e os intertravamentos dependem da simbologia de contatos auxiliares e atuadores elétricos. A bobina do contator, que realiza o acionamento eletromecânico, é representada universalmente por um retângulo simples, com suas conexões obrigatoriamente nomeadas como A1 para a entrada da fase ou sinal de controle e A2 para o retorno de neutro ou potencial de referência. Os contatos auxiliares acoplados seguem uma lógica estrita de numeração de dois dígitos. Os contatos normalmente abertos (NA) possuem terminação final três e quatro (exemplo: treze e quatorze, ou vinte e três e vinte e quatro) e são desenhados com a linha de conexão afastada do terminal fixo. Os contatos normalmente fechados (NF) possuem terminação final um e dois (exemplo: onze e doze, ou vinte e um e vinte e dois) e são desenhados com a linha transversal cruzando e tocando o terminal fixo. [1, 2]

    Os elementos de interface humana e sinalização também possuem regras rígidas de desenho técnico na norma. Uma botoeira de pulso NA (botão liga) exibe uma haste vertical com uma aba horizontal paralela aos contatos, indicando o acionamento por pressão mecânica manual com retorno por mola. A botoeira de emergência NF (botão cogumelo) adiciona a essa haste um semicírculo ou uma aba em formato de trava mecânica para indicar o travamento após o acionamento. Os dispositivos de sinalização visual, como as lâmpadas piloto ou sinalizadores LED, são representados por um círculo perfeito contendo um "X" internoizado em seu centro geométrico, com conexões identificadas como X1 e X2. [1, 2, 3]

    Por fim, os elementos de temporização industrial alteram a geometria dos contatos auxiliares para indicar o comportamento dinâmico do componente. Um temporizador com retardo na energização (Tone ou On-Delay) possui o contato auxiliar desenhado com um pequeno arco voltado para a esquerda, assemelhando-se ao formato de um para-quedas, indicando que a comutação física dos terminais ocorrerá somente após transcorrido o tempo programado na bobina. Já o temporizador com retardo na desenergização (Toff ou Off-Delay) apresenta o arco do contato voltado para a direita, garantindo que o contato retorne à posição de repouso somente após o tempo estipulado contar a partir do corte de energia de sua respectiva bobina.

    A partida direta com reversão é um circuito eletromecânico projetado para inverter o sentido de rotação de um motor de indução trifásico. Para que isso ocorra fisicamente, o circuito de força precisa inverter a sequência de duas das três fases que alimentam o estator do motor. Essa manobra requer dois contatores de potência trabalhando em conjunto com um circuito de comando lógico e intertravado. [1, 2, 3, 4]

    No circuito de força, a alimentação trifásica passa inicialmente pelas proteções gerais, compostas por fusíveis ou por um disjuntor-motor. Logo abaixo, a fiação divide-se em dois caminhos paralelos controlados pelos contatores principais, identificados tecnicamente como K1 e K2. O contator K1 é conectado de forma direta, mantendo a sequência natural das fases de entrada, onde a fase L1 conecta-se ao terminal U, a fase L2 ao terminal V e a fase L3 ao terminal W do motor. O contator K2 é conectado em paralelo com K1 na entrada, mas cruza os condutores em sua saída: a fase L1 é direcionada ao terminal W, a fase L2 é mantida no terminal V e a fase L3 é conectada ao terminal U. Quando K1 fecha seus contatos, o motor gira no sentido horário. Quando K2 fecha, a inversão das fases L1 e L3 faz o motor girar no sentido anti-horário. [1, 2]


  • Proteção Térmica para Motores Elétricos9:41

    Proteção Térmica para Motores de Indução Trifásicos (MIT)

    ​1. A Importância da Proteção Térmica

    ​O motor de indução trifásico é a máquina mais utilizada na indústria devido à sua robustez e simplicidade. No entanto, o seu calcanhar de Aquiles é o calor. Estima-se que mais da metade das falhas elétricas em motores sejam causadas pela degradação do isolamento das bobinas devido ao superaquecimento.

    ​Para cada 10 graus Celsius que o motor opera acima da temperatura limite de sua classe de isolamento, a vida útil do seu enrolamento é cortada pela metade. A proteção térmica tem como objetivo monitorar e interromper o funcionamento do motor antes que a temperatura atinja níveis críticos que destruam o verniz isolante dos fios.

    ​2. Principais Causas do Superaquecimento

    ​O aumento excessivo de temperatura em um motor trifásico pode ter origens mecânicas, operacionais ou elétricas:

    ​Sobrecarga Mecânica Contínua: Exigir do motor um torque maior do que aquele para o qual foi projetado (ex: obstrução em esteiras, desalinhamento de eixos ou problemas em caixas de redução).

    ​Falta de Fase: Quando uma fase se rompe, o motor continua girando se já estiver em marcha, mas as duas fases restantes passam a conduzir uma corrente muito mais alta para compensar a perda, gerando aquecimento severo e localizado.

    ​Rotor Bloqueado: Se o motor for energizado mas a carga estiver travada, ele não gira. A corrente de partida (que é de 6 a 8 vezes maior que a nominal) permanece circulando continuamente, aquecendo o motor em poucos segundos.

    ​Ventilação Obstruída: Acúmulo de poeira, óleo ou detritos nas aletas de resfriamento do motor, ou bloqueio físico da defletora (ventilador traseiro).

    ​Partidas Muito Frequentes: O pico de corrente da partida gera calor. Se o motor for ligado e desligado sucessivas vezes sem tempo para resfriar, o calor acumulado queimará o isolamento.

    ​3. Dispositivos de Proteção Térmica Indireta (Por Corrente)

    ​Esses dispositivos ficam instalados no painel elétrico e monitoram o calor de forma indireta, calculando o aquecimento do motor com base na corrente elétrica que passa por ele.

    ​Relé Térmico de Sobrecarga (Bimetálico)

    ​É o dispositivo mais tradicional. Ele possui internamente três lâminas bimetálicas (uma para cada fase) envolvidas por uma resistência de aquecimento. Quando a corrente aumenta, o calor faz com que as lâminas se curvem devido aos diferentes coeficientes de dilatação dos dois metais.

    ​Funcionamento: Ao se curvarem além do limite ajustado, as lâminas empurram um mecanismo mecânico que altera o estado dos contatos auxiliares (abre o contato 95-96 e fecha o 97-98). O contato 95-96, que está em série com a bobina do contator de força, abre e desliga o motor.

    ​Proteção Diferencial: Os relés térmicos modernos possuem um mecanismo diferencial que detecta a falta de fase. Se uma das lâminas não aquecer (fase caída) e as outras duas aquecerem muito, o relé desarma muito mais rápido do que desarmaria por uma sobrecarga comum.

    ​Disjuntor-Motor

    ​Funciona sob o mesmo princípio bimetálico para a proteção térmica, mas integra no mesmo corpo a proteção magnética (contra curto-circuito) e a chave de manobra. A vantagem é a economia de espaço no painel e a capacidade de interromper diretamente o circuito de força sem depender exclusivamente do contator.

    ​4. Dispositivos de Proteção Térmica Direta (Por Temperatura)

    ​Esses dispositivos são inseridos diretamente dentro do motor, no interior das bobinas, durante o processo de fabricação ou rebobinagem. Eles medem a temperatura real do estator, sendo independentes da corrente elétrica. São ideais para motores de grande porte ou que operam em regimes severos.

    ​Termistores (PTC e NTC)

    ​São semicondutores que alteram drasticamente sua resistência elétrica ao atingirem uma determinada temperatura. O mais comum é o PTC (Positive Temperature Coefficient), cuja resistência aumenta abruptamente quando ele chega na sua temperatura de disparo (especificada pela classe de isolamento do motor, como 155 graus Celsius para Classe F).

    ​Funcionamento: Os fios do PTC saem da fiação do motor e são ligados a um "Relé Repetidor de Termistor" no painel. Quando o motor superaquece, a resistência do PTC dispara, o relé do painel detecta a mudança e abre o circuito de comando, desligando o contator.

    ​Protetores Térmicos Bimetais Imbutidos (Termostatos / Clickson)

    ​São pequenos interruptores bimetálicos encapsulados e inseridos nas bobinas. Diferente do relé térmico do painel, a lâmina desse termostato se deforma pelo calor direto do motor. Ao atingir a temperatura limite, o contato interno abre. Eles podem ser ligados diretamente em série com a bobina do contator de comando.

    ​Sensores de Resistência (PT100)

    ​São sensores de alta precisão que alteram sua resistência de forma linear e contínua com a temperatura (ex: 100 Ohms a 0 graus Celsius). Eles não provocam um "desarme" direto, mas enviam um sinal contínuo para um controlador digital ou CLP. Isso permite monitorar em tempo real a temperatura do motor, programando alarmes preventivos antes que o desligamento por emergência aconteça.

    ​5. Diretrizes de Ajuste e Testes

    ​Para garantir a eficácia da proteção térmica, os seguintes critérios devem ser seguidos:

    ​Corrente de Ajuste (I_e): O dial de ajuste do relé térmico ou do disjuntor-motor deve ser regulado para o valor exato da Corrente Nominal (I_n) gravada na placa do motor para a tensão de trabalho utilizada.

    ​Consideração do Fator de Serviço (FS): Se o motor possuir um FS de 1.15 e for necessário aproveitar essa capacidade, o ajuste do relé pode ser elevado em até 15% (I_n \times 1.15), desde que os cabos também suportem essa corrente. Caso contrário, mantenha o ajuste em I_n para maior segurança.

    ​Classe de Disparo (Trip Class): Relés térmicos possuem classes de disparo (geralmente Classe 10, 20 ou 30). Elas definem o tempo que o relé tolera a corrente de partida antes de desarmar. Motores com partidas rápidas usam Classe 10 (desarme em até 10 segundos sob sobrecarga de partida). Motores acoplados a cargas de grande inércia (como exaustores pesados) exigem Classe 20 ou 30 para não desarmar durante a partida normal.

  • Proteção Térmica para Motores Elétricos-Parte 29:07
  • Situações Problemas em Elétrica Industrial - Parte 111:37
  • Situações Problemas em Elétrica Industrial - Parte 215:49
  • Situações Problemas em Elétrica Industrial - Parte 325:48
  • Transformadores e Dimensionamento de Elos Fusível de Distribuição dos Tipos "H"20:02

    P/ Baixar dezenas de  apostilas em PDF, copie o link abaixo:

    https://drive.google.com/drive/folders/0BzMKuSFq1zi5V2YyY0dvYUFROHM?usp=sharing


    O transformador elétrico é um dos componentes mais vitais da infraestrutura elétrica moderna, permitindo a transmissão eficiente de energia a longas distâncias e a operação segura de uma infinidade de dispositivos industriais e residenciais. Seu princípio fundamental baseia-se na conversão de níveis de tensão e corrente mantendo a frequência constante, operando exclusivamente sob o regime de corrente alternada (CA).

    ​Princípio de Funcionamento e Fundamentos Físicos

    ​O funcionamento de um transformador é totalmente regido pelas leis do eletromagnetismo, especificamente pela Lei de Faraday-Neumann-Lenz e pela Lei de Ampère. Ele é composto essencialmente por dois ou mais enrolamentos (bobinas) isolados eletricamente entre si, mas acoplados por um fluxo magnético mútuo através de um núcleo ferromagnético.

    ​Quando uma tensão alternada é aplicada ao enrolamento primário, uma corrente alternada começa a circular por ele. Essa corrente estabelece uma força magnetomotriz que gera um fluxo magnético variável no núcleo ferromagnético. Devido à alta permeabilidade magnética do material do núcleo, esse fluxo é canalizado e percorre o circuito magnético até concatenar-se com o enrolamento secundário.

    ​De acordo com a Lei de Faraday, a variação temporal desse fluxo magnético através das espiras do enrolamento secundário induz nele uma força eletromotriz, ou seja, uma tensão elétrica. Se uma carga for conectada aos terminais desse secundário, uma corrente alternada passará a circular pelo circuito de carga. A Lei de Lenz determina que o sentido dessa corrente induzida será tal que o fluxo magnético gerado por ela se oporá à variação do fluxo original que a criou.

    ​A Relação de Transformação

    ​A relação entre as tensões, correntes e o número de espiras nos enrolamentos é matematicamente definida pela relação de transformação, denotada pela constante a. Em um transformador ideal, desprovido de perdas, a razão entre a tensão no primário (V1) e a tensão no secundário (V2) é diretamente proporcional à razão entre o número de espiras do primário (N1) e do secundário (N2). Inversamente, a relação com as correntes do primário (I1) e do secundário (I2) é inversamente proporcional, devido à conservação da potência.

    ​A equação fundamental que rege esse comportamento é expressa como V1 dividida por V2, que é igual a N1 dividido por N2, que por sua vez é igual a I2 dividido por I1.

    ​Dessa forma, se o número de espiras do secundário for maior que o do primário, o dispositivo atuará como um transformador elevador de tensão. Se o número de espiras do secundário for menor, ele atuará como um transformador abaixador. É fundamental notar que, como a potência ideal se mantém constante em ambos os lados, quando a tensão é elevada, a corrente é reduzida na mesma proporção, o que é o princípio chave para a redução de perdas por efeito Joule (R vezes I ao quadrado) nas linhas de transmissão de energia.

    ​Aspectos Construtivos e Componentes

    ​Um transformador industrial de grande porte ou de distribuição é composto por vários sistemas integrados:

    ​O Núcleo Magnético é construído em lâminas delgadas de aço silício de grãos orientados (aço GO), isoladas umas das outras por uma fina camada de verniz. A laminação é crucial para reduzir as perdas por correntes parasitas (ou correntes de Foucault), que circulam no próprio material do núcleo devido à indução.

    ​Os Enrolamentos são feitos de condutores de cobre ou alumínio de alta pureza, isolados por esmalte ou fitas de papel isolante. O enrolamento conectado à fonte de alimentação é o primário, e o conectado à carga é o secundário. Em sistemas trifásicos, esses enrolamentos podem ser conectados em configurações Estrela (Y) ou Delta (Triângulo), gerando diferentes defasagens angulares e permitindo a criação de um condutor de neutro na ligação Estrela.

    ​O Meio Isolante e de Refrigeração em transformadores de grande porte geralmente envolve a imersão do núcleo e das bobinas em um tanque preenchido com óleo mineral isolante ou óleo vegetal biodegradável. O óleo desempenha a função dupla de isolante elétrico e de fluido térmico, transportando o calor gerado internamente para as paredes do tanque ou radiadores externos. Transformadores do tipo seco utilizam resina epóxi para isolamento e dependem da ventilação natural ou forçada do ar para o resfriamento.

    ​Os Acessórios de Proteção e Monitoramento incluem o Tanque de Expansão (ou conservador), que absorve as variações de volume do óleo causadas pela oscilação de temperatura. O Relé Buchholz é um dispositivo de proteção mecânica instalado na tubulação entre o tanque principal e o conservador, capaz de detectar desprendimento de gases causados por arcos internos ou perdas abruptas de óleo. Buchas de Passagem são isoladores de porcelana ou resina que permitem a saída dos condutores de alta e baixa tensão do interior do tanque para o ambiente externo com total segurança dielétrica. O Comutador de Taps (TAP Changer) permite alterar a relação de transformação ajustando o número de espiras ativas do enrolamento, compensando as variações de tensão da rede elétrica.

    ​Perdas e Eficiência em Transformadores Reais

    ​Embora os transformadores sejam equipamentos altamente eficientes, frequentemente superando 98% de rendimento, os modelos reais apresentam perdas que se dividem em duas categorias principais:

    ​Perdas no Ferro (ou Perdas no Núcleo) são praticamente constantes e independentes da carga conectada ao transformador. Elas se subdividem em perdas por histerese magnética, associadas à energia necessária para reorientar os domínios magnéticos do material a cada inversão de ciclo da corrente alternada, e perdas por correntes parasitas, causadas por correntes induzidas no próprio núcleo de aço.

    ​Perdas no Cobre (ou Perdas nos Enrolamentos) são variáveis e dependem diretamente do quadrado da corrente que circula pelas bobinas. São causadas pela resistência elétrica dos condutores, manifestando-se na forma de calor por efeito Joule.

    ​Classificação e Aplicações Industriais

    ​Os transformadores são classificados de acordo com sua aplicação no sistema elétrico:

    ​Transformadores de Potência são utilizados em subestações de geração e transmissão. Eles elevam a tensão na saída das usinas (para patamares como 138kV, 230kV, 500kV ou mais) para viabilizar o transporte econômico da energia, e depois a rebaixam nas subestações de distribuição das cidades.

    ​Transformadores de Distribuição são os equipamentos fixados em postes ou instalados em cabines primárias que reduzem a média tensão da rede de distribuição urbana (geralmente 13,8kV ou 34,5kV) para os níveis de utilização comercial e residencial (como 220V e 127V ou 380V e 220V).

    ​Autotransformadores possuem apenas um único enrolamento contínuo com derivações (taps). Parte do enrolamento atua tanto como primário quanto como secundário. Embora ofereçam maior eficiência, menor tamanho e menor custo para relações de transformação próximas de um para um, eles não fornecem isolamento galvânico entre os circuitos, limitando sua aplicação onde a separação elétrica mútua é obrigatória por motivos de segurança.

    ​Transformadores de Instrumentos são dispositivos de alta precisão usados para reduzir grandezas elétricas a níveis compatíveis com instrumentos de medição e relés de proteção. O Transformador de Corrente (TC) reduz correntes elevadas para um padrão linear (normalmente 1A ou 5A), operando em curto-circuito. O Transformador de Potencial (TP) reduz tensões elevadas para níveis padronizados (geralmente 115V), operando em circuito aberto.

    ​Ensaios e Manutenção

    ​Para garantir a confiabilidade operacional e prever falhas destrutivas, os transformadores passam por rigorosas rotinas de manutenção preditiva e ensaios normatizados.

    ​O Ensaio em Vazio é realizado aplicando-se a tensão nominal em um dos enrolamentos enquanto o outro permanece em circuito aberto. Esse teste permite mensurar a corrente de magnetização e as perdas no ferro do equipamento.

    ​O Ensaio em Curto-Circuito é executado curto-circuitando um dos lados e aplicando uma tensão reduzida no lado oposto até que a corrente nominal circule pelos enrolamentos. Esse procedimento permite determinar a impedância de curto-circuito e as perdas no cobre na temperatura de referência.

    ​A Análise de Resposta em Frequência (SFRA) avalia a integridade mecânica interna do núcleo e dos enrolamentos, detectando deslocamentos físicos causados por esforços eletrodinâmicos de curtos-circuitos externos.

    ​A Análise de Óleo Isolante engloba testes físico-químicos para medir a rigidez dielétrica, o teor de água e o índice de acidez do fluido. Adicionalmente, a Cromatografia de Gases Dissolvidos (DGA) no óleo permite identificar falhas térmicas ou elétricas incipientes, como centelhamento, arcos elétricos de alta energia ou sobreaquecimento localizada de papel isolante, através da identificação e quantificação de gases como hidrogênio, acetileno, metano e etileno.

Requirements

  • Ter concluído o ensino fundamental
  • Ser capaz de interpretar textos e situações problemas e realizar as quatro operações matemáticas básicas

Description

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